PERSISTÊNCIA - Londrina homenageia empresários que fazem a história da cidade
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sábado, 31 de julho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
''Participamos da história de muita gente. Já ouvimos pessoas falarem que nossos produtos fizeram parte de suas vidas, das de seus filhos e estarão presentes nas vidas de seus netos''. Assim o empresário Érico Sávio, 41 anos, resume a importância na história de Londrina da indústria e sorveteria que leva o nome de sua família. A marca Sávio, como outras tantas do comércio da cidade, está tatuada na alma da vida cotidiana de quase 70 anos do município.
Esse fenômeno receberá reconhecimento formal. A Junta Comercial do Paraná, o governo estadual e a Secretaria de Estado da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul irão homenagear na próxima quarta-feira, numa cerimônia no Buffet Planalto, pioneiros da indústria e do comércio de Londrina. O governador Roberto Requião (PMDB) e secretários de estado participarão do evento.
Para a homenagem, está sendo feito um cadastro das empresas de Londrina que fizeram registro na Junta Comercial entre 1934 (ano da fundação do município) e 1970 e que ainda estão na ativa. Ao todo, aproximadamente 80 estabelecimentos comerciais e/ou industriais da cidade se encaixam nesse perfil.
Um deles é a Dicomag, que vende móveis para escritório e cuja logomarca é associada de imediato pelos londrinenses ao cenário da Rua Guaporé, na área central. José Grossi Sobrinho, 67 anos, toca a empresa ao lado de um de seus filhos desde a segunda metade da década de 80, quando seu irmão, Alexandre Grossi, um dos fundadores do estabelecimento, faleceu.
Grossi conta que chegou a Londrina em abril de 1959, vindo de Juiz de Fora (MG), para ser contador da Dicomag, que Alexandre havia fundado dois meses antes. À época, a empresa vendia máquinas para escritório: máquinas de escrever, máquinas de cálculo, mimeógrafos, copiadoras, bebedouros. Grossi passou a ser um dos proprietários em 1961.
''A Olivetti (a principal fabricante de máquinas de escrever em todo o mundo) passou a ter uma política de que não forneceria mais máquinas para empresas que não tivessem pelo menos um técnico com formação específica reconhecido por ela. Fui a São Paulo, fiz um curso e a Dicomag passou a ter descontos na compra de maquinário. Meu irmão e seu sócio me deram então 10% de participação'', lembra o empresário, que ao longo das décadas foi aumentando essa porcentagem.
Nos primeiros anos, havia a concorrência de outras empresas de maquinários. ''Quando começamos, já havia estabelecimentos tradicionais no ramo, como a Organização São Jorge. No início, vendíamos máquinas mais para fora do município. Não sabíamos trabalhar o mercado em Londrina'', admite Grossi. Em 1962, a Dicomag tornou-se distribuidora exclusiva da Olivetti na cidade e abriu distância sobre as concorrentes.
A década de 60 foi o auge da empresa. A Dicomag, que no início tinha apenas cinco empregados, chegou a 30 funcionários. Filiais foram abertas em várias cidades do Paraná e em 1970 a empresa passou a trabalhar com móveis para escritório, de madeira e aço. ''Foi com as filiais que começamos a ter problemas. Perdemos dinheiro e fomos obrigados a fechar todas'', lembra o empresário.
A partir do final dos anos 80, quando a popularização dos computadores transformou máquinas de escrever em peças de museu, a Dicomag começou a investir ainda mais em móveis para escritório. Hoje, maquinários como ventiladores e bebedouros ainda são comercializados pela empresa, mas, segundo Grossi, não tem grande influência no faturamento. A Dicomag emprega atualmente 15 pessoas. Está longe de sua fase áurea, mas é a única das empresas do ramo atuantes no final dos anos 50 que segue na ativa em Londrina.


