Aos 80 anos, o pernambucano José Hugo de Siqueira é um exemplo típico da paixão do sertanejo nordestino pela tradição das festividades juninas típicas. Com chapéu de couro e trajes especiais para a ocasião, ele é um dos alegres participantes de um grupo de idosos que anima festas em todas as regiões da cidade. Mas não deixa de ter saudades das concorridas festanças de sua terra natal, Canhotinho, perto de Caruaru, sede de um dos forrós mais famosos do País.
''Fogueira, milho assado, pipoca, canjica'', enumera Siqueira, relembrando dos animados festejos juninos no Nordeste. Para ele, porém, a quadrilha do Serviço Social do Comércio (Sesc) é um pouquinho da terra natal em Londrina. O grupo conta com cerca de 400 idosos. Homens são exceção. Apenas 10%. ''É porque as mulheres são mais atiradas e dispostas'', arrisca Margarida Furiche Hesko, 65. Vestida a caráter, ela também não deixa de participar da quadrilha.
A chance de dançar também serve para reavivar memórias da juventude na Zona Rural. Nascida e criada num sítio em Bratislava, região de Cambé, a dona de casa diz que festa junina é sinônimo de quitutes. Outra integrante assídua das quadrilhas do Sesc é a aposentada Anaíde Franco de Godói, 66. Para ela, o mais importante é a oportunidade de interagir com os outros integrantes do grupo de idosos.
A principal diferença que a aposentada aponta é em relação ao nível de religiosidade envolvido nos eventos juninos. A festança organizada pelas próprias famílias é uma das principais marcas na lembrança dela. Também não faltava reverência aos três santos da época. Ela também recorda-se de diversos elementos que praticamente deixaram de existir atualmente: mastro com imagem do santo, fogueira e comida exclusivamente típica. ''As festas antes eram mais juninas do que agora'', arremata. (F.R.F.)

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