Há seis anos, Justin era um adolescente americano como qualquer outro. Com apenas 13 anos de idade, ele frequentava a escola, se divertia com os amigos e passava horas criando websites e navegando pela internet. Um dia, Justin conseguiu comprar uma webcam (câmeras filmadoras ligadas a um computador). Empolgado com o novo ''brinquedo'', passou a se comunicar pela rede. Foi por meio de um website de relacionamentos, que pedófilos começaram a agir.
Convencido por variados argumentos, Justin concordou em atender alguns pedidos dos novos ''amigos''. Tudo começou quando o menino aceitou tirar uma peça de roupa por 50 dólares. Os aliciadores pagavam por meio da rede e Justin recebia o valor exato. Justin continuou atendendo os pedidos até que quando se deu conta estava ganhando muito dinheiro e se prostituindo cada vez mais.
Foram cinco anos assim. Com uma webcam dentro de seu próprio quarto, Justin se tornou uma grande estrela do pornô na Internet. A história de Justin foi revelada no início do mês no programa americano ''The Oprah Winfrey''.
A história que aconteceu nos Estados Unidos não é diferente de muitas que ocorrem aqui no Brasil. Segundo o chefe-substituto da Divisão de Direitos Humanos da Delegacia de Polícia Federal em Brasília (DF), Clyton Eustáquio Xavier, a grande difusão do uso da Internet por meio de lan houses, cyber cafés e a falsa sensação de anonimato, tem feito com que esse tipo de crime aumente.
''Há tipos distintos de pedófilos. Aquele que se satisfaz em consumir, colecionar e trocar materiais como fotos e vídeos. O outro é ainda mais perigoso, pois além de colecionar esses materiais, ele alicia e produz fotos e vídeos'', diz.
Xavier explica que o aliciamento pode ser on line (através da Internet) ou off line (através da interação com a vítima). Pela Internet, o pedófilo frequenta salas de bate-papos, nas salas especificadas por idade, onde se faz passar por uma criança. ''Depois de ganhar a confiança da vítima, ele a conduz para os programas de mensagens instantâneas onde a criança é aliciada para que se mostre através das webcams e sem que ela saiba, todas as imagens são registradas e arquivadas. Geralmente as vítimas são de classe média e possuem computadores em seus quartos''.
Para o psicólogo e terapeuta da Clínica Paradigma em São Paulo (SP), Roberto Alves Banaco, a aproximação sexual de adultos a crianças e adolescentes é comum. Segundo ele, a própria cultura propicia a sexualização precoce das crianças. ''Não é incomum vermos em programas de TV onde crianças são incentivadas a reproduzirem movimentos sensuais de dançarinas. A Internet não chega a ser um facilitador para isso. Fazer poses ou mesmo mostrar-se em câmeras de vídeo seria mais uma variação daquilo que as crianças já fazem'', explica.
Banaco irá ministrar o curso ''Nem criança, nem adulto: a análise do comportamento abordando a adolescência'', durante o I Simpósio de Psicologia Clínica do PR e Sul de SP, na próxima sexta-feira e sábado, em Londrina.

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