PERIGO - Crianças em risco
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sábado, 28 de fevereiro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Tombos, arranhões e joelhos esfolados fazem parte do desenvolvimento de qualquer criança. Nem todos os machucados, porém, podem ser curados apenas com remédio e carinho de mãe. Uma pesquisa inédita realizada em Londrina mostra que os acidentes infantis são muito mais sérios e frequentes do que se imagina. Em um ano, quase 9 mil crianças ou 7,5% da população da cidade , com idades entre 0 e 15 anos, foram hospitalizadas por esse motivo. Nesse período, 18 crianças morreram vítimas dos mais diversos acidentes. Mortes que poderiam ser evitadas com medidas de prevenção relativamente simples, mas que nem todos os pais parecem conhecer.
Com 14 anos de experiência em enfermaria pediátrica, a professora de enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Christine de Godoy Martins afirma que sempre se incomodou com o alto número de crianças acidentadas que apareciam no hospital. Foi essa a motivação da pesquisa de sua tese de mestrado. Durante dois anos, ela esmiuçou, com ajuda de alunos, boletins e prontuários de cinco hospitais para traçar um quadro mais preciso da ocorrência de acidentes infantis.
Os números da pesquisa em Londrina confirmam as tendências mundiais: os acidentes ocorrem com maior frequência em casa (as quedas são as maiores causas de internações) e as maiores vítimas são crianças de 0 a 2 anos, cujo período de desenvolvimento propicia esse tipo de ocorrência. Na faixa etária acima dos 2 anos, os meninos são as maiores vítimas de acidentes e correspondem a 60% das ocorrências. Outros dados, no entanto, mostram uma realidade bastante particular e apontam para a necessidade de adoção de políticas públicas específicas.
No mapa dos acidentes, a Zona Norte foi responsável por 42% de todas os atendimentos hospitalares. ''Talvez isso tenha relação com o fato de a área ser bastante populosa e cortada por duas rodovias'', afirma Christine. A Zona Sul, que também tem rodovias e trânsito pesado, ficou em segundo lugar de ocorrências, com 31,8%.
A professora chama atenção para o trânsito porque os acidentes de transporte são os maiores responsáveis pelas mortes e só são menos frequentes que as quedas. Quase 45% dos óbitos foram causados por atropelamentos, acidentes com bicicletas ou automóveis. ''Como as crianças não têm noção das regras de trânsito, acabam sendo mais atingidas'', comenta a professora.
A segunda maior causa de morte apontada na pesquisa foi o afogamento e a asfixia por ingestão de vômito, comum em bebês. ''São coisas que poderiam ser evitadas facilmente se os pais colocassem as crianças de lado na hora de dormir. Já um dos casos pesquisados foi de um bebê de um ano que caiu dentro de um balde com água e não conseguiu sair'', afirma.
Com a pesquisa em mãos, a professora pretende prosseguir o trabalho. ''Tenho que alertar a população sobre os perigos dos acidentes e da necessidade de se modificar o meio doméstico para as crianças. O que se percebe é que os pais parecem não estar preparados para se precaver em todos os níveis de desenvolvimento da criança, que são diferentes e têm riscos diferentes'', finaliza.


