Há 25 anos, a Igreja Matriz de São Pedro de Umbará dá continuidade a uma tradição religiosa no mês de maio. Percorre dez comunidades com a Procissão de Nossa Senhora dos Migrantes, que busca integrar os moradores da região e da Vila Osternack através da vivência da fé. A imagem saiu da igreja matriz no dia 21 e passa de comunidade em comunidade, permanecendo um dia em cada uma delas, motivando uma série de atividades espirituais e culturais, como missas, novenas, corais, teatro e visitas a casas de pessoas doentes.
O retorno à Igreja de São Pedro será no próximo sábado (dia 30), depois de cumprir o trajeto de cerca de 40 quilômetros. A procissão é sempre noturna, a imagem de Nossa Senhora dos Migrantes é carregada num andor, por cerca de três quilômetros, até a próxima comunidade. No dia 21, um cortejo motorizado levou a imagem da matriz à comunidade de São Luiz, uma área antiga de ocupação. Lá, os moradores aguardavam Nossa Senhora numa capelinha, ainda inacabada, para realizar a missa. Eles até soltaram fogos de artifícios na chegada da procissão.
"Essa é uma comunidade recente, que participa há três anos apenas. O mais importante é o desejo dos moradores de participar, embora eles não tenham as atividades tão bem organizadas, mas a intenção é muito bonita. As comunidades vivem essa expectativa, se organizam, ensaiam cantos, teatro. Se mobilizam de alguma forma para celebrar a permanência da imagem no local", contextualizou o pároco da matriz de Umbará, padre Miguel Longhi.
"Essa procissão é também uma preparação das comunidades para a festa de Pentecostes, no dia 31. Mas, acima de tudo, trabalhamos a unidade entre as comunidades da região, que apresentam realidades sociais e econômicas bem diferentes", explicou o religioso. Em cinco localidades, da São Luiz até Nossa Senhora da Misericórdia, todas na região da Vila Osternack, o percurso é feito a pé. Já nas comunidades mais antigas, formadas por descedentes de italianos, a partir de São José (Ganchinho) até voltar para matriz, a procissão é motorizada.
A artesã Terezinha Micheleto, 56 anos, aguardou com ansiedade a chegada de Nossa Senhora dos Migrantes na comunidade São José, onde moram cerca de 300 famílias. "A gente prepara a capela e decora com flores para recebê-la. De manhã, vamos rezar o terço e, na parte da tarde, vamos rezar mil Aves Marias. Antes, a imagem ficava uma semana conosco, agora é só um dia. Por isso, vou pedir à escola que traga as crianças aqui, não será possível levar a imagem até lá’, disse. "Nosso sentimento é muito forte por Nossa Senhora. Ela veio nos visitar para nos trazer confiança na vida e no amor", completou Terezinha.

História
A procissão iniciou em 1984, por iniciativa do padre Jacob Bordin, na época, pároco da Matriz São Pedro de Umbará, para integrar as comunidades da região. O cortejo era feito com a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Só em 1991, outro pároco, Irio Dalla Costa, mandou fazer a imagem de madeira de Nossa Senhora dos Migrantes ou Peregrina, em Nova Trento (SC). "Antes só havia a igreja matriz em toda região, as comunidades eram muitas, então, para se conhecerem, se teve a idéia da procissão durante o mês de maio. Dessa forma, poderia se chegar até elas e fazer uma unificação", contou padre Miguel.
Algumas das comunidades que participavam, na época, eram Califórnia, Santa Luzia, Caximba, Santana, Nossa Senhora do Rocio, Cerâmica, Futurama, Gralha Azul e Palmeiras. "Quando veio a imagem de madeira, a procissão chegou a durar quatro meses, segundo registro do livro tombo da igreja", informou ele. "Naquela época, a devoção já era intensa. E assim permanece, as pessoas continuam motivadas. É muito bonito de se ver. Sei que a tradição de procissões é forte do nordeste do Brasil. Mas nós também fazemos, dentro das nossas possibilidades e do nosso jeito", concluiu padre Miguel.

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