Perdeu, playboy!
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Me divirto com grupos de apoio absurdos. Como o novíssimo Saindo com um Banqueiro Anônimo, que foi notícia esses dias no New York Times. Surgido na esteira da crise financeira internacional, é formado por mulheres preocupadas com o estado emocional de seus parceiros, a maioria financistas e operadores da bolsa de valores.
Em um blog, elas relatam o "drama" que andam vivendo desde que o capitalismo sofreu seu pior revés. O namorado de uma passou a beber todos os dias. O marido da outra está deprimido e parou de jogar golfe. Como se não bastasse, as festas, jantares e eventos vip simplesmente minguaram. O que fazer?
Terapeutas tentam explicar o fenômeno, mas não tem segredo. Trata-se de uma geração inteira de homens que formaram sua autoimagem a partir dos êxitos conquistados na carreira. Gente que encarnou a versão Wall
Street do "macho alfa" (ousado, empreendedor, ativo) e agora está sem rumo.
O "macho alfa", aliás, sempre me pareceu uma figura à beira de um colapso. Por trás da aparente segurança, há um poço de temores. Quando o mínimo detalhe sai do controle, ele logo dá seus faniquitos. Sei disso porque, como todo homem, também tenho meus momentos patéticos de bater no peito e bradar "EU SOU O MÁXIMO" (a palavra é outra, mas enfim...).
O problema é que, cedo ou tarde, a queda sempre vem. E no caso dos machões onipotentes de Wall Street, fica difícil ser um bom cristão e ter pena. Afinal, eles passaram anos especulando e embolsando cifras absurdas antes da crise. Dá vontade de invadir a bolsa e, parafraseando os funkeiros cariocas, gritar: "Perdeu, playboy!".


