Pequenos erros, grandes danos
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de junho de 2011
Fábio Cavazotti<BR>Especial para a Folha 
Viver sem degradar a natureza é praticamente impossível. A cada atividade que o ser humano desenvolve, acaba gerando algum tipo de impacto sobre o meio ambiente. Muitos destes impactos podem ser assimilados e superados pela natureza, em razão da sua imensa capacidade de auto-depuração. Porém, diversas pequenas atividades, somadas, podem gerar danos muito maiores que grandes atividades. É a chamada poluição difusa - aquela gerada por uma grande multiplicidade de pequenos atos e por cada cidadão isoladamente.
Por exemplo: da população brasileira, aproximadamente 18% são fumantes. Em Londrina, isso significa cerca de 90 mil pessoas. Se 10% destes fumantes jogarem uma bituca de cigarro por dia na rua, significa que 9 mil bitucas chegarão aos nossos rios, através das galerias pluviais, em dias de chuva. Isso, por dia.
Outro exemplo: pensemos no impacto gerado por todo tipo de resíduo jogado pelas janelas dos carros. Em Londrina, as pessoas poluem mais que as indústrias, atesta o ambientalista João Batista Moreira, o João das Águas. Estas pequenas atitudes, que o cidadão não sabe que degrada o meio ambiente, tem um impacto muito negativo na qualidade de nossas águas, aponta o ambientalista. O fato é que inúmeras atitudes já incorporadas ao dia a dia do cidadão comum contribuem fortemente para a contaminação ambiental.
Outros exemplos: a dona de casa que varre a sujeira da calçada diretamente para os bueiros; a lavagem de automóveis nas calçadas; a utilização de sabão e detergente para limpeza das calçadas; o esgotamento das águas de piscinas diretamente nas galerias pluviais; dentre outras atividades.Tudo isso tem reflexo direto na qualidade dos rios, afirma João das Águas.
Outro alerta lançado pela Sanepar refere-se à ligação irregular de esgoto nas galerias pluviais. São tubulações de cozinhas e lavanderias que, ao invés de se ligar à rede de esgoto, acabam desembocando nas galerias de águas de chuvas, e no final, em algum rio.
Mas não é só a água que sofre com as ações humanas contrárias à preservação ambiental. Motoristas que não fazem revisão em seus veículos acabam contribuindo para aumentar a quantidade de CO2 e fumaça na atmosfera - o que gera maior pressão sobre o processo de aquecimento global e, quanto à saúde humana, grande incidência de problemas respiratórios. O mesmo se pode dizer das queimadas urbanas.
O advogado Camillo Kemmer Vianna, diretor do Instituto Ecometrópole, uma ONG londrinense que desenvolve trabalhos na área da gestão ambiental urbana, alerta que a recuperação do meio ambiente depende do envolvimento de todos. A isso se chama ecocidadania. Cada pessoa deve procurar minimizar seus impactos sobre o meio ambiente e aprender a viver de forma mais harmônica com ele, prega.


