Apesar da pouca idade, eles têm talento de sobra. Ensaiam exaustivamente e tocam como se tivessem anos de experiência. A habilidade com os instrumentos e a concentração na partitura revelam que basta uma oportunidade para que brilhem nos palcos mundo afora. Toda a desenvoltura de cinquenta e quatro meninos e meninas de 12 a 18 anos de três projetos sociais diferentes do país poderá ser conferida no concerto de abertura oficial do 35º Festival de Música de Londrina (FML), no dia 13, às 20h30, no Teatro Marista. A Orquestra Sinfônica Jovem, novidade desta edição, vai apresentar "Alvorada" de Antônio Carlos Gomes; "Concerto n°: 2 para Piano e Orquestra – Op.21 de Fryderyk Chopin e "Fronteiras", de Yamandu Costa.
Além dos adolescentes, o concerto terá a participação do pianista cubano Leonel Morales e o violonista brasileiro Yamandu Costa, que farão solos. Se a responsabilidade de "fazer bonito" é grande para todos, talvez o maior desafio dessa empreitada tenha sido do maestro espanhol Josep Caballé Domenech, que teve apenas três dias para alinhar todo o repertório com os jovens instrumentistas – um grupo heterogêneo, de culturas e volumes sonoros diferentes - até o dia da apresentação. "É um projeto inédito e inovador, uma ousadia que foi acolhida pela diretoria", afirma a diretora pedagógica do FML, professora Magali Kleber. Assim, os projetos Núcleos de Orquestras Juvenis e Infantis do Estado da Bahia (Neojiba), Ação Social pela Música, do Rio de Janeiro, e Guri, de São Paulo, foram selecionados por desenvolverem um trabalho socioeducativo musical de significativo impacto. Os jovens receberam bolsas de estudo para participarem do FML que, além da abertura, vão tocar em outras apresentações da programação.

PAIXÃO PELA MÚSICA
Com experiências em vários projetos semelhantes, o maestro Josep Caballé Domenech comenta que o desafio do curto período é superado pela paixão pela música e a chance de compartilhá-la. "Isso resolve todos os problemas que possamos ter. Acho muito excitante ter a possibilidade de estabelecer uma nova relação com jovens talentosos e apaixonados. E, claro, em seguida, muito trabalho duro. Uma vez que a visão está estabelecida, é preciso muito trabalho para nossos esforços chegarem perto dessa visão." Para ele, a energia e vitalidade que os jovens mostram quando falam sobre música dá mais razões para continuar seu trabalho. "Claro que as qualidades técnicas e abordagem são um pouco diferentes do que com orquestras profissionais. Mas, por outro lado, o frescor e a autenticidade da música em si é apresentada de uma forma mais direta. E isso é um desafio fantástico cheio de emoção", conta.
Crente e defensor de que a música pode mudar o mundo e de que projetos assim são a prova disso, Domenech diz que, além das atividades profissionais na Alemanha e nos Estados Unidos, sempre inclui fazer música com Orquestras Jovens, o máximo que puder, compartilhando sua paixão e conhecimento. "A paixão e o interesse que esses jovens têm, praticando horas e horas, lutando contra qualquer adversidade apenas para obter o melhor em sua atividade, é a demonstração do que a música significa: sentimentos. A possibilidade de desenvolver-se como um músico significa, antes de tudo, desenvolver-se como pessoa e ser humano; e isto já é maravilhoso."

MUNDO DE BELEZA
O famoso violonista brasileiro, Yamandu Costa, lembra que já tocou em outras oportunidades com formações parecidas e a experiência foi enriquecedora para ele também, mesmo com anos de estrada no currículo. "Os adolescentes têm uma maturidade que é impressionante e me inspira. Mesmo com alguma limitação técnica que possa existir, a maneira juvenil de tocar transmite a vontade que têm de fazer bem." A participação desses jovens em festivais e diferentes formações, para ele, possibilita a troca de informações e o contato com uma programação rica e eclética. "São oportunidades de educação em projetos como esses que mostram que essas iniciativas realmente funcionam. Pela música, ou arte em geral, têm acesso a um mundo paralelo de beleza. E um festival como o de Londrina congrega tudo isso num mesmo lugar", relata o violonista.

Serviço:
Concerto de Abertura
Quando: 13 de julho, às 20h30
Onde: Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 240)
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Imagem ilustrativa da imagem Pequenos astros de uma grande sinfonia
| Foto: Fotos: Divulgação
"Os adolescentes têm uma maturidade que é impressionante e me inspira", diz Yamandu Costa
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"A possibilidade de desenvolver-se como um músico significa, antes de tudo, desenvolver-se como pessoa e ser humano; e isto já é maravilhoso", resume Josep Caballé Domenech
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