Pequenas histórias
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
João Castelo Branco sentiu que não conhecia a sua cidade. Havia muito em Curitiba que lhe fugia os olhos. Em 2004, como membro do projeto Cidades Visíveis, organizado pelo Núcleo de Estudos da Fotografia (NEF), onde é professor até hoje, resolveu ir em busca da Curitiba que não estava no seu cotidiano, muito ligado à vida no Juvevê, bairro em que mora desde que é piá. João nasceu no Rio e hoje tem 28 anos. A ida para Praga, em 2005, mudou o destino e o impediu de concluir o ensaio como parte do Cidades Visíveis, que buscava, como ele mesmo explica, uma Curitiba diferente daquela do marketing apresentado nos anos Jaime Lerner.
Na residência artística em Praga, motivado pelo professor e fotógrafo Viktor Kolár, decidiu retomar o projeto de contar pequenas histórias, desta vez na capital da República Tcheca. Depois, em Paris, foi para outros caminhos e escreveu uma tese sobre como se dá a comunicação no Flickr, rede social virtual que tem como ponto de partida a fotografia.
"Pequenas histórias", apresentado nesta página, marca o início de uma mudança importante na trajetória do fotógrafo. Pela primeira vez, ele usou o colorido em um ensaio autoral, abandonando o P&B, muito ligado ao Humanismo, tradição fotográfica que ressalta o cotidiano e o homem comum, reconhecido nas imagens de nomes como Henri Cartier-Bresson, Walker Evans e o brasileiro Sebastião Salgado.
A bordo de sua CB400, uma moto grande e velha, João percorreu a Curitiba que ele desconhecia. Começou no Ceasa, passou pelo Tatuquara e presídio do Ahú. Fotografou em 35mm, com slides, um processo nobre, caro, que permite um alto contraste e boa definição de cores. Como fotografou no início da manhã e fim de tarde, enxergou uma Curitiba que define como laranja. Ainda que hoje tenha abandonado a postura humanista, partindo para uma fotografia menos idealizada e sem o receio de ficcionalizar, construir uma realidade, reconhece que, sim, tem saudades do romantismo apresentado no ensaio feito em 2004 e reproduzido na sessão Fotógrafos da Cidade de hoje.


