Pequenas delicadezas de Natal
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Adriana De Cunto<br>Editora 
Toda a criança deveria ter o direito de fabricar pequenas bolachinhas de Natal na cozinha da casa da avó ou da mãe. Quem, da geração que cresceu nos anos de 1970, 1980, não guarda nas memórias mais doces aquelas tardes de sábado e domingo recheando pequenas forminhas dos mais variados modelos de massa de mel ou amanteigado? E a emoção de servir no café da tarde essas pequenas delicadezas, pintadas com corantes alimentícios e decoradas com mínimos desenhos de flores, corações, rostos do Papai Noel ou de anjos?
Pois acredite que no século 21, neste dezembro de 2008, ainda tem famílias que se dedicam a fabricar esses autênticos sonhos de Natal. É o caso de Erica Zeilinger, que junto com a filha Elizabeth Prestel, é responsável por uma fábrica de bolachas e doces alemães. Localizada no bairro do Pilarzinho, em Curitiba, a Bolachas Erika é um dos pontos mais tradicionais do final de ano na capital paranaense. As guloseimas produzidas por mãe e filha com ajuda de uma dezena de funcionários abastecem os chás e cafés de clientes de todas as idades, conquistadas em 30 anos de trabalho.
É difícil resistir às pequenas estrelinhas de massa de mel com amêndoas, aos coraçõezinhos enfeitados com castanha do Pará, às florzinhas de amêndoas, geléia de damasco, marzipan e glacê de limão. O que dizer então dos amanteigados brancos enfeitados com pequenos corações de geléia de uva? Ou dos cubinhos de massa de mel, doce de figo, marzipã e cobertura de chocolate? Impossível resistir...
A dupla de artistas da cozinha, Erica Zeilinger e Elizabeth Prestel são proprietárias do Deutsche Ecke (Canto Alemão), um Café localizado em um dos pontos turísticos mais conhecidos e bonitos de Curitiba, o Bosque do Alemão.
A história da Bolachas Erika não difere muito de tantas outras histórias bem sucedidas de pessoas que se inspiram no livro de receitas da família para abrirem um pequeno negócio que cresceu.
Erica aprendeu as primeiras receitas no Convento Evangélico no qual estudava, a Casa Matriz de Diaconisas de São Leopoldo (RS). Ela conta que na época do Advento, quatro semanas antes do Natal, todas as tardes, para a hora do café, reuniam-se as diaconisas e as estudantes e saboreavam as deliciosas bolachas natalinas que ela ainda hoje tem na memória. Essas bolachas eram feitas pelas próprias estudantes, sob a supervisão da diaconisa responsável pela cozinha.
A moça nasceu no Rio Grande do Sul e depois mudou-se para Marechal Cândido Rondon, no Paraná. Ainda jovem morou três anos em Munique, na Alemanha, onde conheceu o futuro marido, Franz Josef Prestel - moço brasileiro de descendência germânica. De volta ao Brasil, casaram-se, estabeleceram-se em Curitiba e tiveram dois filhos.
A produção de bolachas começou de forma caseira. O objetivo era presentear os amigos com as iguarias. Não demorou muito para que apreciadores dos belos e deliciosos bolos, tortas e bolachas se multiplicassem por Curitiba. A pequena fábrica abriu um ponto de venda no Bosque do Alemão, em 1996. A mulher tem uma barraca, há 20 anos, na feira de artesanato do Largo da Ordem, e participa todos os anos da feira de Natal da Praça Osório.
Como não poderia deixar de ser, nessa época do ano, a grande procura na fábrica e nas barracas das feiras são as bolachas delicadamente enfeitadas com temas natalinos e os stollens - tradicionais panetones alemães, feitos com amêndoas e frutas (limão e laranja) glaceadas.


