No livro ‘‘O Tarô Mitológico’’, que propõe uma nova abordagem para a leitura do tarô, a Temperança é representada por Íris, a deusa do Arco-Íris e mensageira Hera, rainha das deusas. No campo psicológico, Íris aparece, segundo o livro, como a segunda lição que devemos aprender para construir uma personalidade estável: o coração equilibrado.
  Enquanto Atena é a deusa da Justiça, fria e objetiva, Íris representa a Temperança, boa e misericordiosa, embora sua bondade não seja piegas ou simplesmente sentimental. Explica-se: os preceitos de Atena são rígidos, estáticos e universais. O objetivo de Íris, por sua vez, requer um reajuste contínuo e fluido, ora positivo, ora negativo.
  Com a discussão adaptada aos tempos atuais, impossível não lançar a pergunta: mais vale a emoção ou a razão? Ou então: será que sempre fazemos nossas escolhas com base no intelecto? Ou com base naquilo que nossas emoções indicam como melhor caminho para a manutenção de um relacionamento? A reportagem da FOLHA foi em busca das respostas e de exemplos.
  100% emoção
  Na era do ‘‘ficar’’, do ‘‘rolo compressor’’, da pressa e das relações descartáveis, encontrar um casal com pouco mais de 20 anos, recém-formado na faculdade, em que o namorado escreva cartas de amor e poesias e a namorada cultive ‘‘as belas palavras’’ soa, para muitos, como cena de folhetim mexicano ou filme açucarado europeu. Não?
  No caso da bacharela em Direito e graduada em Letras Samar Ribeiro Nassar e do advogado Christopher Romero Felizardo, a teoria cai por terra. ‘‘O Chris é muito romântico e tem o costume de escrever cartas maravilhosas, podemos até chamá-las de poesias’’, comenta Samar. ‘‘A Sam sempre cultiva belas palavras a desencadear momentos únicos’’, afirma Chris.
  O casal, que está há seis anos junto, conheceu-se na faculdade. ‘‘À época, estudávamos em salas separadas, porém, tínhamos um amigo em comum. Durante as festividades das turmas, nos aproximamos e acabamos nos apaixonando’’; relembram os pombinhos, que têm a música ‘‘I Believe In You and Me’’, (Eu acredito em você e em mim), da cantora norte-americana Whitney Houston, como a favorita. ‘‘Ela representa a íntegra de nosso namoro’’, revela Samar.
  Quando o ideal de vida é posto em pauta, isto é, planos e projetos, Samar e Christopher também optam pelo romance. ‘‘Acreditamos que o ideal é viver uma vida romântica, cheia de surpresas e transformar momentos simples em únicos. É expressar o amor e compartilhar desse amor’’.
  Quando perguntados se tanto amor não pode resultar em exagero e sufocar – como previne o livro ‘‘O Tarô Mitológico’’ – Samar toma a dianteira. ‘‘O amor que nós sentimos vem de Deus, pois não há medo, não há insegurança, amamos e devemos amar intensamente como se fosse o último dia. Acho que para amar não podemos ter limites, devemos amar incondicionalmente, com o coração e a alma. Se o amor é recíproco, o cultivo do exagero torna-se saudável’’.
  Na lista de rituais de um casal apaixonado, Christopher adianta os programas indispensáveis. ‘‘Viajamos sempre que possível, seja para assistir um show, peça de teatro ou simplesmente encontrar os amigos e comemoramos nossos aniversários de namoro mensalmente, festejando cada mês como se fosse o ano. Nos seis anos que estamos juntos, aprendemos que é impossível existirmos separados: as batalhas existem e só servem para nos fortalecer’’. Samar referenda. ‘‘Com o lema ‘o que Deus uniu, nada pode separar’, todas as inseguranças, desafios e dificuldades desaparecem’’.
  Razão é com ele
  Estudante de administração de empresas, Vitor Giovenazzi Rodrigues, 23 anos, diz se pautar mais pela razão. ‘‘Já agi muitas vezes por impulso e isso me prejudicou, tanto na vida profissional como na esfera pessoal. Com o tempo, você adquire experiência e maturidade para saber como agir em situações em que suas emoções são testadas. Acredito que isso o torne diferenciado perante as outras pessoas’’.
  A mudança, segundo o rapaz, foi providencial para suas atuais atribuições, que incluem um estágio na gerência executiva do INSS de Londrina. ‘‘Felizmente, consigo agir com mais razão em meu trabalho. Mesmo porque trabalho em um local que exige muita responsabilidade e por isso não posso deixar que meus impulsos tomem partido em minhas ações. Acredito que a responsabilidade está intimamente ligada ao controle das emoções e ao uso da razão’’, defende.
  No campo amoroso, Vitor também adota a precaução. ‘‘Já me entreguei a muitos relacionamentos que considerava verdadeiros, mas que posteriormente se revelaram fúteis e mentirosos. Quebrei a cara e aprendi muito com isso. Agora, sou mais precavido’’.
  Adepto da máxima que prega que ‘‘a vida é feita de fases’’, o futuro administrador – que não dispensa uma balada nos fins de semana – diz-se mais seletivo. ‘‘Atualmente gosto de conhecer a pessoa com a qual estou me relacionando, seus gostos, seus sonhos, suas manias, seus defeitos, dados que tempos atrás pouco me importavam’’.
  De olho no término da faculdade, Vitor, que pretende residir em São Paulo com os pais e ser aprovado em um programa de trainees, ressalta o bom senso em relação ao emprego da razão. ‘‘Tudo precisa ter as devidas proporções. Não adianta você se tornar 100% racional e se transformar em uma pessoa fria e calculista. O bom senso é primordial na hora de agir, seja pela razão ou pela emoção’’. 

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