Os moradores e comerciantes locais procuram manter uma aparente amizade com os garotos de programa, para não correrem risco de assaltos. O guardador de carros Rodrigo (nome fictício), de 27 anos, assume o seu posto na rua a partir das 18 horas. ''Tem que manter a amizade com as pessoas das lojas para não dar problema pra gente. De dia fica um senhor aqui, mas à noite o ponto é meu'', explica Rodrigo. Ele conta que, diariamente, 18 garotos de programa se revezam na região. Cada um cobra de 30 a 50 reais por programa. ''Teve uma época que tinha muito michê (gíria usada para garoto de programa que atende exclusivamente homens) ladrão. Hoje diminuiu. Mas há umas semanas um michê bateu em um cliente, pois ele não queria pagar pelo serviço'', conta o experiente 'dono' da rua.
O próprio guardador de carros faz uns trabalhos extras às vezes. ''Também faço programa. Esses dias saí com um cara que me pagou 180 reais'', conta Rodrigo, que ganha, em média, 30 reais por dia guardando carros. Segundo ele, os garotos de programa arranjam um ou dois encontros por dia. Porém, já houve tempo que o resultado era melhor, atingindo até sete clientes por noite. Na lei da rua, o pedágio também existe. ''Se aparece um cara novo querendo fazer programa, tem que pagar pedágio pra gente. Se ele cobrou 30, 10 reais são para a gente'', explica. Na Travessa Jesuíno Marcondes aparece de tudo. São em média 15 clientes por dia, entre mulheres, homens e casais. Por terminar de trabalhar muito tarde, Rodrigo não volta para casa no final do expediente. Ele dorme em um hotel no centro, com diária de 10 reais. (D.C.)

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