Quase todo mundo que gostava de super-heróis quando criança já teve a vontade de vestir as roupas e encarnar os personagens prediletos. Pois é, a atividade evoluiu, passou a ser praticada pelos mais velhos e hoje é levada a sério em vários países, inclusive o Brasil. É o cosplay, que a cada dia ganha novos adeptos.
O cosplay normalmente nasce do interesse natural de leitores de quadrinhos e fãs de desenhos animados ou videogames por áreas relacionadas. ''No final de 2004, comecei a ver animação japonesa, como Naruto e One Piece. As animações japonesas são legais porque são mais adultas. Por exemplo, GTO (Great Teacher Onizuka) conta a história de um ex-líder de gangue que quer se tornar professor universitário. Já o Naruto não é o bem contra o mal, há um conflito de idéias'', explica João Adolfo Wendpap, de 20 anos.
''Eu conhecia só desenhos normais que não seguem uma sequência, como o Bob Esponja. Depois passei a assistir Sakura Card Captors e One Piece, a acompanhar a evolução dos personagens. Daí em 2001 eu fui no Animencontro e depois comecei a ir em outros eventos e me interessar mais'', lembra Eluiza Santos Cassol, 23 anos. ''Comecei assistindo Sailor Moon na tevê e depois passei a ler revistas, deu vontade de fazer (cosplay)'', diz Maria Alexandra Nakid, de 18 anos.
Os cosplayers costumam escolher personagens com características físicas ou psicológicas semelhantes às suas, apesar disso não ser fundamental. ''O ideal é ter uma harmonia entre a roupa e a interpretação, a semelhança física é o menos importante'', comenta Eluiza, que tem encarnado a lutadora Lilith, do jogo Darkstalkers.
A roupa é confeccionada, na maioria das vezes, pelos próprios cosplayers e por isso o improviso e soluções funcionais de baixo custo também são admiradas pelos adeptos. ''Comprei o tecido e montei a roupa com uma foto impressa. O meu (cosplay) custou R$ 35, com chapéu e costura. Mas alguns que usam armaduras gastam mais de R$ 2 mil com a roupa. No começo você vai ser um 'cospobre' ou um 'toscoplay'. Mas tem que pegar o personagem que gosta e os acessórios e improvisar, praticar em casa'', afirma João Adolfo, já bastante prestigiado por sua fiel representação de Ruffy do mangá One Piece, inclusive com ''aptidões físicas'' semelhantes, como o corpo elástico.
Identificação com o personagem é fundamental. ''Escolhi o Ruffy do One Piece porque o persaonagem estica o braço e tenho umas particularidades parecidas. Ele tem um jeito meio bobo e engraçado de tratar coisas sérias'', justifica João Adolfo. No Brasil, o cosplay é levado mais na brincadeira do que no Japão e, por isso, vez ou outra aparecem fantasias inusitadas. ''Teve um cara que fez cosplay de caixa de madeira do jogo Mario Bros.'', diverte-se.
Mas qual é o grande barato de ter uma ''pele mutante'' para se transformar em seus personagens prediletos? ''Você tem a identificação com aquele personagem e se diverte por estar interpretando e ser olhado como se fosse ele de verdade'', relata Maria Alexandra, que se transforma em Sailor Jupiter, do anime Sailor Moon. ''Você se sente o personagem, começa a agir como ele, interage com outros'', diz Eluiza. ''É, o legal é quando o pessoal reconhece e diz ''Olha lá o Ruffy'' e tudo mais'', complementa João Adolfo.
É claro que nem todos encaram o cosplay um hobby ou brincadeira. ''Conheço gente que só fala sobre isso, assim como só de animação. Alguns vão fantasiados para shoppings e lugares em que as pessoas não sabem o que é aquela orelha ou rabo de gato. Tudo tem limite, é um hobby, depois que começa a exagerar daí já vira obsessão'', alerta João Adolfo.
De acordo com o trio, passar-se por ''nerd'' ao fazer cosplay é comum, mas o rótulo não incomoda. ''Minha família olha meio estranho, acha meio esquisito, diz ''isso aí é coisa de nerd''. Mas, depois que me viram fazendo o cosplay, acharam engraçado e divertido'', recorda João Adolfo. ''Sempre tem gente que não conhece e não entende, passam mexendo. Mas nunca sofri preconceito por causa disso'', assegura Maria Alexandra.
Pra quem quer saber mais ou encontrar adeptos do cosplay, a internet é o caminho mais fácil e rápido. Várias comunidades do Orkut, como ''ECW'' (Extreme Cosplay Wrestlers) e ''Cosplay'' dedicam-se ao assunto. Outros sites também divulgam fotos e informações a respeito. Como os fotolog.com/eloksol,/cosplay e /adolfo; www.elu.lux.deviantart.com ou vídeos no YouTube (www.youtube.com), com as palavras-chave ''Ruffy''+''Hana Matsuri'' ou ''Save Point Kodama''.

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