FOLHA EXPO 2019 -

Pelas trilhas do campo

Acessíveis e não competitivas, caminhadas rurais fomentam turismo e valorizam região

Walkiria Vieira - Grupo Folha
Walkiria Vieira - Grupo Folha

Em Borrazópolis, as belezas do Rio Ivaí proporcionam momentos de lazer e entretenimento
Em Borrazópolis, as belezas do Rio Ivaí proporcionam momentos de lazer e entretenimento | Divulgação


Muitas vezes nos acostumamos tanto com o belo que nos esquecemos de dar o devido valor a ele – e até deixamos de olhar pela janela ou admirar o próprio jardim. Esse é um dos pensamentos de empreendedores, organizadores de caminhada e empresários do setor de turismo, reunidos recentemente durante a ExpoLondrina para o 3º Encontro de Caminhadas do Paraná. O tema tem sua relevância sobretudo do ponto de vista econômico e leva em conta proteção ambiental. No Estado, o evento é coordenado pela Emater e está vinculado ao Anda Brasil e ao Ecobooking – Sistema de Gestão de Turismo. Turismólogo com mestrado em Turismo e Hotelaria, Rafael Freitag destacou a sustentabilidade das caminhadas rurais, planejadas e realizadas para não gerar poluição aos locais visitados. 


A prática das caminhadas em meio à natureza encontra apaixonados pelo mundo todo e, de acordo com Freitag, o turismo rural de Viamão, município localizado no Rio Grande do Sul, é referência para quem deseja se aprimorar ou começar, de maneira sustentável nessa ideia. Assim como Pomerode, em Santa Catarina. “Temos exemplos de eventos de caminhada em que é feita auditoria desde a caneta usada para preencher a inscrição - ela entra na contabilidade e o objetivo tem como base a iniciativa carbon free, que visa compensar o ambiente de todos os impactos sofridos”, explica. 



Frondosas palmeiras-imperiais abrem as portas do Resort Solar Águas do Ivaí aos apreciadores do turismo rural
Frondosas palmeiras-imperiais abrem as portas do Resort Solar Águas do Ivaí aos apreciadores do turismo rural | Divulgação



Sensível aos encantos e aos cuidados de que necessita a natureza, o proprietário do resort Solar Águas do Ivaí, em Borrazópolis (Norte Central), Fabio Couto Rosa, exalta o investimento no turismo rural até como forma de evitar o êxodo rural. “Sim, porque se incentivamos o turismo, os filhos dos produtores rurais passam a ter outras ocupações e não se vão”, dá o exemplo. Com estrutura, sua propriedade oferece atrações como passeio de caiaque, bicicleta, SUP (stand up paddle), caminhada em uma trilha ecológica de seis quilômetros e cross country. “Uma verdadeira higiene mental e que tem atraído até os europeus para atividades simples como fazer pão caseiro, aprender a fazer requeijão, keefer, colher ovos no galinheiro e tirar leite da vaca”, diz. 

Os esportes aquáticos, como o stand up paddle, estão entre os atrativos do resort Ivaí
Os esportes aquáticos, como o stand up paddle, estão entre os atrativos do resort Ivaí | Divulgação




Rosa reforça ainda que os produtores podem seguir com a rotina semanal normalmente e incluir outras atividades de modo organizado na própria fazenda para receber o turismo. Uma atividade não exclui a outra. O foco no turismo é inesgotável e estamos em um lugar com muitas riquezas geográficas, históricas e gastronômicas. Há dois anos investindo na atividade de turismo em sua propriedade, Rosa sabe que todos podem ir além nesse meio. 

Fomento ao turismo rural é tema de encontro na Expolondrina
Fomento ao turismo rural é tema de encontro na Expolondrina | Walkiria Vieira


O modelo de negócio no turismo também é incentivado no encontro pela gestora estadual de Turismo Rural, Terezinha Bruzanello Freire, do Emater. A prática popular de baixa intensidade requer calçado confortável e não possui fins de competição. Os passeios guiados variam de 10 a 15 quilômetros e, sem pressa, duram em média quatro horas e permitem até que na cidade de origem, as pessoas conheçam a comunidade rural. “Os percursos são regulares, levamos carro de apoio para dar suporte e nossa experiência inclui jovens, idosos e crianças”. Freire afirma que existe um público com sede de caminhadas. “Caminhadas geram caminhadas”, endossa Freitag. 


Entre os objetivos do encontro, debater com lideranças e formadores de opinião. “Se na caminhada o participante faz um descolamento considerado pequeno e não gasta com diária de hotel é preciso ver por outros ângulos: paga por produtos e serviços da região, como a gastronomia, e sabemos que isso mexe com o comportamento. Por isso, queremos promover mudanças positivas como eliminar copos plásticos e prestigiar sucos naturais e da estação, cervejas artesanais, por exemplo”, ressalta Terezinha Freire. 


Saibam mais em: http://www.emater.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=359







 


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