Pela integração da América Latina
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Conhecido pela hospitalidade de seu povo, o Brasil é bastante procurado por estrangeiros de diversas partes do mundo, entre eles, pessoas nascidas nos países vizinhos. Embora o curitibano não compartilhe da mesma fama e seja apontado como um pouco menos amistoso, a capital paranaense também acolhe parte desses imigrantes, a exemplo do Paraná como um todo.
De acordo com registros da Pastoral do Migrante, 60 mil estrangeiros vivem no Estado. E estima-se que 6 mil deles encontrem-se em situação ilegal. Nestes casos, eles chegam motivados por questões econômicas em busca de melhores condições de vida. No entanto, há também aqueles que vêm por outros caminhos e estabelecidos aqui colaboram para uma maior integração entre povos próximos, não apenas pela localização geográfica, mas por uma série de fatores históricos e culturais que os integram nessa entidade identificada como América Latina.
Nascida no Uruguai, na fronteira com o Brasil, e radicada em Curitiba desde a década de 80, depois de sete anos de exílio na Bélgica, Gladys Renée de Souza Sánchez Floriani, diz que hoje sente como se continuasse vivendo numa fronteira. "Me sinto uruguaia mas não é mais aquele sentimento. Me sinto latino-americana", afirma a médica, que em 1985 fundou na capital paranaense a Casa Latino-americana do Paraná (Casla). "Ela representa a busca pela identidade comum. Estamos sempre querendo juntar os latino-americanos, brasileiros ou não. É para formar e informar sobre a América Latina", explica a diretora da Casla. "O Mercosul não vai dar certo jamais se não entendermos a cultura um do outro", completa Gladys.
Para a diretora, o brasileiro cultiva ainda muito pouco sua identidade latino-americana sobretudo por desinformação. "Parte da culpa não é dele, mas dos governos que existiram aqui. Foi um trabalho árduo. Nas escolas não existia nada. Nem nas universidades. Com a Casla, conseguimos que as universidades começassem a trabalhar a América Latina e também as escolas", comemora Gladys. Entre outras atividades, a Casla promove o curso de especialização em Relações Internacionais, certificado pela Universidade Federal do Paraná. "É um espaço para conhecer o que é ser latino-americano. Respeitando todas as culturas", ressalta a diretora.
Para o padre Gustot Lucien, nascido no Haiti, e coordenador da Pastoral do Migrante em Curitiba, o Brasil tem papel fundamental na América do Sul porque está economicamente mais desenvolvido que os demais. "Isso atrai migração também", observa o padre Gustot. "Muitos passos importantes já foram dados em questões políticas e culturais. Antes cada um não se interessava em saber do outro", avalia.


