Se nenhuma providência for tomada a curto prazo, em pouco tempo a fauna aquática do rio Paraná desaparecerá por completo. A advertência é do promotor de Justiça Robertson Fonseca de Azevedo, autor de pelo menos duas ações na Justiça, onde denuncia as consequências danosas ao meio ambiente, provocadas pela formação do lago da Usina de Porto Primavera, na divisa entre Paraná e São Paulo.
Azevedo, que foi transferido do Fórum de Altônia para a 6ª Promotoria de Justiça de Cascavel, acompanha a questão há vários anos e foi um dos colaboradores na criação do Consórcio Intermunicipal para Preservação do Rio Paraná e Afluentes (Coripa). O órgão desenvolve as principais ações de fiscalização e educação ambiental no Parque Nacional da Ilha Grande. Nos últimos anos, tem sido grande o desafio no sentido de preservar o que restou da Ilha Grande.
A primeira batalha foi travada contra fazendeiros da região, que mantinham milhares de cabeça de gado nas ilhas banhadas pelo ''Paranazão''. A presença de bovinos era considerada prejudicial, principalmente para a flora nativa da Ilha Grande. A destruição da vegetação rasteira as margens do rio também acelerou o processo de assoreamento.
No entanto, o estágio mais crítico começou em 1997 e de lá para cá vem se agravando. No final do ano passado, o Ibama autorizou o enchimento do reservatório da usina de Porto Primavera, mantida pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
Localizado acima da foz do Rio Paranapanema, o reservatório inundou 225 mil hectares, 25 mil hectares a mais do que o Lago de Itaipu, para gerar uma quantidade de energia 10 vezes menor. Segundo o promotor, a estratégia era encher o lago para privatizar a usina, o que acabou não acontecendo.
Esse procedimento impediu a cheia do rio Paraná entre o Porto Primavera e o município de Guaíra. O promotor explicou que a ausência do enchimento da planície de inundação em toda a extensão da Ilha Grande interrompeu o ciclo natural de reprodução dos peixes. ''Com a inundação, os alevinos migravam para as lagoas nas diversas ilhas ali existentes e lá permaneciam até a idade adulta, quando retornavam para o rio'', explicou.
Sem esse processo, a maioria das espécies está desaparecendo muito rápido, já que os alevinos permanecem no rio e são facilmente capturados por pescadores ou por predadores naturais. Há alguns anos, eram encontrados em grande quantidade no rio Paraná peixes como pintado, dourado, piapara, pacu e jaú que hoje são raridades. O desaparecimento de muitas espécies está comprovado em pesquisas feitas por instituições como a Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Paranaense (Unipar) e organizações não-governamentais.

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