Peixes com mais genética e tecnologia
Com perspectiva de crescimento de 25% a 30% por ano, a piscicultura é um dos setores do agronegócio que vivenciou, nas últimas décadas, o investimento em profissionalização para atender a demanda da indústria. Em Rolândia, o crescimento da Aquabel especializada na produção de alevinos com alta tecnologia exemplifica o cenário. Maior produtora do Brasil, a empresa fornece ao mercado, mensalmente, de 7 a 8 milhões de unidades de animais prontos para engorda.
Somos referência em genética, explica o diretor Ricardo Neukirchner, que investiu em melhoramento genético com a importação de reprodutores de países tradicionais na produção de peixes com alta tecnologia. Os compradores dos alevinos são produtores que buscam animais para engorada e posterior venda aos frigoríficos especializados no processamento do alimento. A grande maioria dos criadouros investe na tilápia. É um negócio com grande potencial, que movimenta, no Brasil, US$ 1 bilhão por ano.
O criador lembra que, ao contrário do mercado para peixes de captura, estagnado há dez anos por redução dos cardumes, o cenário é bom para a produção em cativeiro. É a atividade de produção de proteína animal que mais cresce. O Brasil, enfatiza, reúne as condições perfeitas para se tornar um dos grandes produtores mundiais de peixes.
Para conseguir regularidade nas entregas, a Aquabel possui filiais no Mato Grosso e em Goiás, onde o clima quente permite reprodução dos peixes mesmo nos meses de inverno. A regularidade na entrega da matéria-prima, segundo Neukirchner, é uma das exigências da indústria, que demanda também peixes com baixo custo de produção e maior rendimento de filé.
No Paraná, segundo ele, há 25 mil produtores que, em média, conseguem 50% de lucro sobre o investimento. Na propriedade localizada em Rolândia, além de desenvolver alevinos, Neukirchner produz grãos, cana e também engorda peixes. A criação ocupa 3% a 4% da área e responde por 50% do faturamento, relata.
Os bons resultados, entretanto, dependem da profissionalização. Por isso, na região de Londrina, Sociedade Rural do Paraná (SRP) e Associação Norte-paranaense de Aquicultura (Anpaqui) investem em cursos e palestras para facilitar o acesso às tecnologias. Um dos fundadores da associação, Neukirchner adiantou que em parceria com a SRP, há um projeto de investir R$ 600 mil em um centro de treinamento permanente.
Por ser altamente lucrativa em pequenas áreas, a piscicultura é adequada para o Paraná, onde não há mais fronteiras agrícolas para expansão de lavouras e pecuária. Segundo o produtor, um hectare possibilita a produção de 40 toneladas de tilápias ao ano que, vendidas por R$ 3,00 o quilo, permitem faturamento de R$ 100 mil anuais. (C.A.)





