Pegando pesado
Elas ainda não são maioria, mas já conquistaram um espaço significativo na linha de produção das fábricas instaladas em todo o Estado. A mão-de-obra feminina ocupa, em média, 20% de todo o setor produtivo das montadoras de automóveis que se instalaram na Região Metropolitana de Curitiba, entre elas a Volkswagen/Audi e a Chrysler. Esta última tem 188 trabalhadores na produção dos carros, sendo que 36 são mulheres. A Audi tem 24 mulheres na produção. Ao perguntar a elas se trabalhar na produção de um carro não é coisa para homem, todas respondem com convicção: Podemos fazer qualquer tipo de trabalho.
Este é o caso de Cristiani Nogueira, 26 anos, casada há dois anos. Ela faz parte da equipe que trabalha na linha de montagem da montadora Volkswagen/Audi, instalada em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Minha família me perguntava se eu ia ser peão aqui na Audi. Viviam me dizendo que isso era emprego para homem, mas hoje eles já não pensam assim, conta Cristiani, ao revelar que está ansiosa para ver a fábrica entrar na fase de produção em série.
Cristiani e a colega de profissão, Norma Braz de Araújo, 22 anos, são responsáveis pelo treinamento de um grupo de futuros montadores de carros. As duas passaram uma temporada na Alemanha, onde aprenderam a técnica que ensinam aos demais. Norma é formada em Eletrônica no Cefet e cursa a faculdade de Engenharia Eletrônica. Desde criança fui apaixonada por tudo o que se relacionava com eletricidade. Não acho que isso seja coisa para homem, diz ela.
Mas Norma reconhece que em determinadas situações os homens recebem tratamento diferenciado no trabalho. Há uma certa desvantagem em relação aos homens, pois eles sempre pensam que nós somos mais frágeis, comenta. Ela reconhece que a condição física ainda é um fator que limita um pouco o acesso da mulher ao mercado profissional.
Mauro FrassonNorma de Araújo, na linha de montagem da Volkswagen/Audi: Não acho que isso seja coisa para homem, afirmaO gerente de Recursos Humanos da Chrysler, Edimar Gualberto, também aponta a questão física como um ponto de divisão entre homens e mulheres. No setor de carrocerias, onde se faz a soldagem, só temos mão-de-obra masculina porque o serviço exige muito esforço físico, diz Edimar. A Chrysler tem 280 funcionários em todo o seu quadro, e só não tem mais mulheres porque a maioria dos currículos que chega à empresa ainda é de homens, acrescenta. Ele trabalha em um setor em que o restante das quatro funções é ocupado por mulheres.
Neide Movio, da área de pintura da Chrysler, diz que depois de perder o emprego como vendedora em uma butique em Campo Largo, ela decidiu pedir emprego na Chrysler. A minha situação melhorou muito. Hoje tenho mais capacidade profissional, conta. A analista de Recursos Humanos da Chrysler, Tânia Maranho, 33 anos, diz que uma das dificuldades que a mulher tem para vencer é a questão da maternidade. Há um conflito entre ser mãe e trabalhar, mas temos de nos adaptar. O trabalho é uma necessidade econômica para a maioria das famílias, diz Tânia, que é casada e tem um filho, que, desde os cinco meses de idade, frequenta berçários e creches para que a mãe possa ir para o trabalho.Kraw PenasHá um conflito entre ser mãe e trabalhar, mas temos de nos adaptar, diz a analista de Recursos Humanos da Chrysler, Tânia MaranhoCarmem Murara





