Pedaladas em meio à Mata Atlântica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Morretes - Que tal substituir aquela terapia de ano inteiro por um maravilhoso passeio de bicicleta em meio à Mata Atlântica, misturando o calor do corpo a uma fina garoa e à água de rios e riachos de serra? Além das óbvias vantagens proporcionadas pela atividade física e contato direto com a natureza, o passeio cicloturístico proporciona lições práticas de história do Paraná e o retorno no tempo às antigas estradas coloniais construídas a partir do século 17. De quebra, conta com uma diversificada trilha sonora composta pelos sons de pássaros e água corrente, e por curiosas histórias contadas pelos moradores locais.
O repórter da Folha percorreu uma trilha de 20 km sob fina chuva e pôde constatar a sensação de liberdade conquistada pelas pedaladas. As opções de trilhas em Morretes são incontáveis e podem ser realizadas a um custo aceitável a partir de R$ 40 por pessoa, para percursos longos, com acompanhamento de jeep de apoio, guia especializado e seguro contra acidentes.
Os trajetos mais puxados, para os ciclistas mais ousados, alcançam 32 km em estrada de terra e distritos rurais, incluindo trechos em subida de quase 1 km. O visitante percorre seis vilarejos, dezenas de rios, riachos, bicas dágua e lagos alguns dos quais ultrapassados com a bicicleta nas costas , além de um engenho de cachaça e fábricas de farinha de mandioca e bala de banana, iguarias tradicionais da culinária local. O trecho intermediário do passeio fica na localidade de América de Cima, que tem uma excelente vista para a Serra do Marumbi, onde se localizam alguns dos pontos mais altos do Paraná.
Para grupos de crianças e adolescentes, a operadora Calango Expedições, de Morretes, oferece opções mais amenas, com percursos menores e menos íngremes, sem perder o contato com a exuberante fauna e flora da Serra do Mar.
Além da bicicleta, as trilhas locais oferecem inúmeros percursos para caminhadas a pé em trechos quase intocados de Mata Atlântica com destaque para os picos do Parque Estadual do Marumbi. Criado em 1990, o parque possui 2.343 hectares e foi percorrido pela primeira vez em 1789 pelo desbravador Joaquim Olímpio Miranda. O centro de visitantes conta com museu e espaço de camping.
O pico do Olimpo, a 1.539m de altitude, pode ser alcançado em três horas de caminhada num percurso considerado de alta dificuldade. Também compõem as caminhadas mais difíceis os acessos à Ponta do Tigre, a 1.400 m, em aproximadamente três horas, e ao cume de Abrolhos, a 1.200 m, em duas horas e meia.
O pico do Rochedinho, com 625 m, classificado como nível médio, é uma opção mais tranqüila
de caminhada e pode ser alcançado em aproximadamente 45 minutos.
Dentre as opções de passeios leves, destacam-se as piscinas naturais do rio Taquaral, cujo trajeto dura, em média, 20 minutos. O local, conhecido como Cemitério dos Grampos, é formado por inúmeras piscinas de água cristalina.
Outras opções muito procuradas de caminhada incluem as estradas históricas do Itupava e Graciosa os primeiros acessos entre Curitiba e litoral. O Caminho Colonial do Itupava, aberto em 1625, ainda tem grande parte do calçamento original preservado. O percurso completo, em
7 horas de caminhada, é feito entre os municípios de Quatro Barras e Morretes. Uma versão mais branda pode ser percorrida em
aproximadamente 3 horas.
Já na estrada da Graciosa, de nível médio, o percurso dura menos de uma hora e se concentra nas localidades de Recanto Ferradura e Recanto Mãe Catira. Em razão dos trechos de mata fechada e entroncamento com inúmeras outras trilhas, todos os passeios citados na matéria devem ser feitos com guias especializados de preferência com conhecimento em história do Paraná.


