Pedaladas com óleo
A cena já se repetiu com milhares de curitibanos: você está em uma rua e, de repente, surge um homem vestindo apenas uma sunga, com o corpo besuntado de óleo bronzeador, em cima de uma bicicleta. A figura inconfundível é o Oil Man, apelido do vendedor autônomo Nelson Rebello, 46 anos. O personagem já existe há 10 anos e nasceu da paixão de Rebello por praia e esporte. ''O Oil Man é um caipira da cidade grande, que gosta de praia mas não tem dinheiro para ir sempre'', explica.
Mas muita gente não entende seu propósito, que ele afirma ser a de passar uma imagem positiva de alguém preocupado em melhorar o físico e a saúde por meio do ciclismo. O resultado da incompreensão vem nas agressões sofridas por onde passa. ''Não tem um dia que não me chamam de louco. O problema é quando agridem fisicamente. Fico chateado, mas quem sai na chuva é para se molhar. Sou uma figura democrática, tem quem goste e quem não goste. Mas não incomodo ninguém'', argumenta.
A prova da popularidade ocorreu em outubro do ano passado, quando assaltantes roubaram sua bicicleta. ''Recebi muitas mensagens de apoio e também ganhei uma bicicleta nova'', recorda.
Um dos momentos inesquecíveis, conta, foi em 2001, quando foi entrevistado por Jô Soares. ''Foi muito bom, ganhei muitos fãs'', comemora.
Atualmente o Oil Man chega a percorrer 30 quilômetros por dia, até mesmo no inverno. E como será que ele dribla a temperatura dos dias frios? ''Faço um condicionamento de cerca de 20 minutos, com alongamento e musculação. Depois me concentro, fico alguns minutos sem falar com ninguém. E tem o óleo bronzeador, que é um pouco isolante também'', conta.
Formado em Ciências Biológicas, Rebello, que já foi porteiro, vigia e jogador de basquete - carreira interrompida por uma lesão no tornozelo -, vive hoje da venda de pequenos produtos. A renda ajuda a sobreviver e pagar o óleo bronzeador utilizado nas ''andanças'' pela cidade: cerca de três frascos de 120 ml por mês. ''Isso porque tenho economizado, a situação anda difícil. Mas já cheguei a gastar até cinco frascos'', relembra, antes de sair rua abaixo em mais um treino com sua ''companheira magrela''. (M.M.)





