PEDAGOGIA DO ELOGIO - Valorizar o ser humano é preciso
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sábado, 09 de junho de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Enquanto a situação de violência nas escolas parece não ter solução, pequenas ações na forma de tratar o aluno podem resultar em grandes vitórias. É o que comprovou a professora e pedagoga com especialização em admistração escolar, orientação educacional e supervisão pedagógica, Margarida Myake Misse, de 54 anos.
Até hoje, ela colhe os frutos de uma experiência vivenciada ao longo de 35 anos na área educacional: a pedagogia do elogio, que consiste em valorizar o que o ser humano tem de melhor dentro de si. Uma filosofia aplicada diariamente pelos membros da Seicho-No-Ie e que, recentemente, foi tema de um seminário em Londrina.
''Na verdade, a pedagogia do elogio aplica-se a qualquer área da nossa vida. O elogio é sempre bem-vindo e ajuda a valorizar o ser humano, que descobre o que ele tem de bom por dentro'', explica a professora, que vive em Arapongas com a família.
Em 86, quando iniciou o trabalho na Escola Estadual Professora Nadir Mendes Montanha, Margarida constatou a ''apatia e a falta de motivação dos alunos''. Um diagnóstico da escola foi elaborado e, para surpresa da pedagoga, numa primeira reunião com os pais, revelou-se uma reclamação em relação à postura dos professores. ''Quando vou à escola, escuto sempre a mesma coisa: professor falando mal e reclamando do meu filho'', repetiam os pais.
A primeira providência, de acordo com a professora, foi mudar o comportamento dos educadores. ''A palavra tem muito poder e o que faz mal não é o que entra, mas sim o que sai da boca do homem'', como explica a filosofia da Seicho-no-Ie. ''Se a criança vive num ambiente saudável, onde é valorizada e incentivada, saberá que é capaz e vai melhorar seu desempenho em tudo o que faz. Descobrirá que é capaz de tudo''.
O programa também foi desenvolvido com os pais, que passaram a ser orientados por meio de palestras e encontros com educadores da Seicho-No-Ie.
É um trabalho lento, cujo resultado depende muito da dedicação e disposição dos educadores e das famílias. ''A família é fundamental, então, trabalhamos tanto com os pais, para que aprendam a lidar de forma positiva com os filhos, quanto com os professores, que também ficam boa parte do tempo com os alunos''.
Pouco tempo depois, a escola ficou pequena para tanta gente e as reuniões de pais precisaram ser transferidas para o salão da igreja. Nesse período, a escola já contava com o envolvimento de toda a sociedade, que apoiava as atividades dos alunos. ''Chegávamos a receber mais de 300 pais nas reuniões. A escola virou um lugar prazeroso, agradável e os pais começaram a participar realmente da vida dos filhos'', relembra a professora.
Em 2001, o reconhecimento de todo esse esfoço veio por meio do Prêmio Nacional de Referência de Gestão Escolar, organizado pela Unesco, Consed, Fundação Roberto Marinho e Undine. A instituição atingiu o índice de evasão zero e, mais do que isso, os alunos tinham um índice de aprovação de 92% a 95% de qualidade de ensino.
Na escola, antes problemática, a procura por vagas aumentou. ''Os pais chegavam a formar filas para garantir vaga para os filhos. Conseguimos provar que é possível mudar o perfil das escolas públicas, valorizando, principalmente, as pessoas que fazem parte dela. Formamos verdadeiros cidadãos, críticos e pensantes''.
A professora aposentou-se em novembro de 2001 e hoje se dedica ao trabalho na empresa da família, onde também aplica a pedagogia do elogio entre os funcionários. ''Essa valorização da pessoa pode e deve ser feita em qualquer lugar. Basta a pessoa querer. Os resultados vêm com o tempo''.


