As cooperativas do Paraná compram 60% do calcário consumido no Estado, repassando o custo do insumo para os associados. Com a instituição do pedágio, a Ocepar calcula que o calcário deverá ficar 12% mais caro do que em 97. Para reduzir o impacto que a tarifa terá nos custos de produção, as cooperativas planejam redirecionar suas vendas para São Paulo e Santa Catarina.
Segundo a Ocepar, os produtores do Paraná que estão planejando o plantio da próxima safra de verão, podem se preparar para a elevação nos custos gerais, entre 3% e 4%. Essa variação vai representar forte impacto para o setor, já que metade do valor do insumo será gasto com o pagamento do pedágio, afirma o técnico Flávio Turra.
Segundo projeção da Ocepar, entre Almirante Tamandaré - região sulista onde estão localizadas as empresas de calcário - até Cascavel, no Oeste, o pedágio vai representar 44,9% do custo do insumo. O calcário sai da mina a R$ 7,00 a tonelada, mas com o acréscimo do valor do pedágio de R$ 3,14/t e do valor do frete de R$ 14,50/t, deverá chegar no Oeste a R$ 24,64 a tonelada.
No total, a cobrança do pedágio vai representar acréscimo de 12,7% sobre o custo do insumo colocado na região. Em Maringá (Norte), o calcário deverá chegar a R$ 22,30 a tonelada. O valor pago no pedágio, de R$ 2,80/t, representa 40% sobre o valor do insumo na região produtora. Com o aumento de R$ 12,50 no frete, o insumo terá acréscimo de 12,5%.
As projeções mostram que o impacto do pedágio sobre a distribuição de calcário será grande porque o valor agregado do insumo é muito pequeno. A Ocepar não concorda com o alto valor do pedágio diante dos baixos preços dos produtos. A entidade comparou a carga de um caminhão cegonheiro (de veículos), que vale em torno de R$ 120 mil. ‘‘Com esse valor fica fácil diluir o custo do frete e tarifas’’, salienta Turra.
Mas no Paraná, o valor de um caminhão com 30 t de soja é R$ 6 mil e o valor de um caminhão com 30 t de calcário não ultrapassa R$ 210,00. ‘‘Daí a dificuldade de diluir o custo do pedágio’’, justifica Turra.
Na avaliação da Ocepar, o processo de privatização das rodovias vai representar alterações nas relações de mercado, entre as quais a necessidade de ampliar a industrialização dos produtos primários para elevar o valor agregado.
Outra tendência que deverá ser acentuada, será o redirecionamento das vendas para escapar da cobrança do pedágio. As cooperativas paranaenses vão preferir vender para São Paulo e Santa Catarina, onde poderão receber comparativamente mais.

mockup