Poderia ser um valor suportável. Afinal, o pedágio é necessário em um país cujo serviço público é de baixa qualidade. Ou um valor alto, mas que apresentasse retorno compatível. Nem uma coisa, nem outra.
O pedágio é caro, complica a vida das pessoas e os benefícios muitas vezes podem se resumir a uma bem feita ‘maquiagem’. Em alguns trechos, nem a isso


Desde 7 de junho de 1998, os paranaenses são obrigados a pagar para circular por algumas das mais importantes estradas do Estado. Foi nesse dia que as primeiras praças de pedágio do Anel de Integração começaram a funcionar. Hoje, são seis concessionárias atuando em 27 áreas de cobrança nas rodovias federais e estaduais do Paraná.
  A melhoria das condições de tráfego e da ‘‘aparência’’ de diversos trechos, no entanto, pode esconder problemas graves. O alto custo do pedágio é responsável por mudanças drásticas na vida de muitos paranaenses, que se sentem vítimas da política de concessão de
rodovias.
  Outros reconhecem as melhorias promovidas pelas empresas. Mas, nem assim, o pedágio deixa de ser alvo de críticas. A principal queixa é contra as tarifas praticadas nas mais diversas praças. No único local de cobrança entre Curitiba e o litoral - a praça Caminho do Mar - o preço para carros é R$ 10,60. Um caminhão de sete eixos paga R$ 62,30.
  As condições das estradas pedagiadas foram conferidas de perto por uma equipe da Folha de Londrina. Em cinco dias, a reportagem percorreu todos os quase 2.500 quilômetros dos trechos concessionados, trazendo histórias sobre as mudanças que a cobrança acarretou na vida de muitos usuários.
  Uma cobrança que ainda é questionada na Justiça. Por isso, cartazes e placas nas praças sugerem que os usuários guardem os recibos para um possível ressarcimento futuro. Também foi verificada a qualidade do atendimento prestado pelas concessionárias e o nível de abertura para comunicação de eventuais queixas dos
motoristas.
  Dois casos práticos mostram que há méritos e defeitos. Enquanto o socorro para a retirada de um carro, que despencou da ribanceira em Ortigueira, foi rápido e eficiente; um grupo de motoristas de caminhão teve de esperar socorro por mais de três horas na Serra da Esperança, perto do pedágio de
Relógio.
  Acompanhe, a seguir, histórias, flagrantes e avaliações recolhidas pela reportagem da Folha ao longo das estradas pedagiadas do Paraná.


O QUE SE DIZ SOBRE O PEDÁGIO

- Apenas 1/3 do que as concessionárias arrecadam no Paraná é investido nas estradas. (Fórum Popular contra o Pedágio)

- O pedágio é lesivo ao público em geral porque os custos são repassados para os preços das mercadorias. Quem não usa também está pagando.(OAB)

- O problema do pedágio no Paraná são as altas tarifas e a forma como são feitos os reajustes. (FAEP)

- Com recursos de impostos, como o IPVA e a CIDE, é possível manter e ainda ampliar as estradas. (DER)

- Deveria ser criada uma agência reguladora do pedágio, com participação do governo, concessionárias e usuários. (Ocepar)

- Motorista de Londrina paga mais caro por quilômetro rodado. (DER/Londrina)

- A opinião de que o pedágio é caro tem a ver com a alta carga tributária do País, que também afeta outras tarifas. (ABCR)

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