Pecuária leiteira requer profissionalização
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
Ricardo Maia Reportagem Local 
A produção de leite é considerada hoje a única alternativa para muitos pequenos produtores paranaenses. O que deveria ser a "salvação da lavoura" na economia dessas propriedades e na atividade leiteira do Estado, tem sido motivo de preocupação do setor. A falta de investimento na profissionalização do segmento por parte de alguns criadores vem prejudicando toda a cadeia produtiva no Paraná. De acordo com Paulo Hiroki, veterinário do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), no Estado existem regiões com alto potencial de produção, mas outras com péssimos resultados. Esse desequilíbrio, segundo ele, desestrutura, em parte, a pecuária leiteira local.
Segundo o veterinário, nutrição inadequada, sanidade ruim e comercialização deficiente são os maiores gargalos do setor. Para tentar resolver esses problemas, Hiroki afirma que o Emater vem tentando, por meio de eventos e dias de campo, minimizar essas desigualdades de conhecimento técnico entre produtores de leite. Um deles foi o 20° Encontro de Leite ocorrido na quinta-feira, na 53ª ExpoLondrina, que mostrou a centenas de produtores das regiões Norte e Noroeste do Estado dicas básicas de nutrição, sanidade e comercialização.
Hiroki explica que é de suma importância o produtor cuidar da sanidade, alimentação e principalmente do conforto dos animais para alavancar a produtividade e a qualidade do leite. "O criador precisa ter em sua propriedade indicadores de desempenho, critérios de avaliação, entre outros itens que aumentem a sua competitividade", explica. O veterinário completa que muitos produtores usam o leite apenas como uma alternativa e não como produto principal, por isso não investem.
"Os produtores precisam melhorar a sua tecnologia se querem obter algum tipo de renda com a atividade", diz Hiroki. O Emater, como destaca, vem tentando levar, na medida do possível, orientação aos que necessitam. No entanto, ele salienta que a entidade não possui técnicos suficientes para atender toda a demanda. Na opinião do veterinário, é preciso que a indústria também se mostre presente perante as deficiências dos produtores, auxiliando-os na profissionalização da atividade. Para os pecuaristas, Hiroki orienta que procurem melhorar e "não fiquem esperando a ajuda bater na porta".
Benedito Pires Junior, produtor na região de Ibiporã (Norte), possui 20 animais em lactação que produzem, em média, 180 litros de leite por dia. Ele conta que sempre que é possível participa de eventos e encontros de produtores para melhorar a sua competitividade. "O pequeno pecuarista precisa correr atrás, buscar informações sobre o que acontece na sua atividade", completa Junior.
Além de órgãos estaduais, como o Emater, Junior também conseguiu apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Frequentemente, professores e estudantes visitam a propriedade para verificar a sanidade do rebanho. "A universidade não veio me procurar, eu que fui buscar o apoio", observa.
Balanço
Atualmente o Paraná possui mais de 100 mil produtores. Por ano, de acordo com o Emater, são produzidos três bilhões de litros de leite, o que corresponde a cerca de 8% da produção nacional. O Estado é o terceiro maior produtor, ficando atrás de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.


