Aos 19 anos, o designer gráfico Alex Manfredini Contato, hoje com 30, não imaginava que o gosto pessoal para se vestir acabaria lhe indicando o rumo profissional. Descontente com o que o mercado oferecia, desenhou e mandou tecer algumas blusas de tricô, que chamaram a atenção dos amigos. Descobriu ali um mercado. Era 1997 e nascia a Ruah, ‘‘soco do espírito’’ em hebraico.
  Aos poucos, a alfaiataria com ares streetwear se juntou aos tricôs de apelo retrô. Quando as cenas fashion e eletrônica despontavam, a Ruah dividia espaço no Mercado Mundo Mix, em São Paulo, com os também iniciantes Mario Queiroz e Alexandre Herchcovitch. Suas peças vestiram os VJs da MTV e apareceram em revistas nacionais. Mas, apesar da boa aceitação dos modernos, as dificuldades eram grandes.
  Ainda assim, Alex abriu a primeira loja, no centro de Londrina, com ajuda da Associação de Desenvolvimento da Indústria Informal de Londrina. Hoje a marca está instalada no Catuaí, tem pontos de venda fora da cidade e produção terceirizada. Crescimento, entretanto, tem um significado diferente para Alex. ‘‘Tenho medo de popularizar a marca; não quero passar por cima de conceitos meus’’, revela. Tanto que só agora, depois de 10 anos de história, ele lançou a linha feminina, sucesso de vendas.
  ‘‘Quero que a pessoa use meu produto porque se identificou com ele, não porque é barato ou viu alguém usando’’, diz o designer, que não assiste desfiles para não se influenciar e se inspira em filmes nacionais antigos e em shows de rock para criar as coleções. (R.V.)

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