Pecados são melhor compreendidos
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de junho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Se a definição de pecado mortal - transgressão da lei de Deus em matéria grave, de maneira consciente e intencional - ainda é geralmente aceita, há agora mais compreensão em relação ao pecador. Em vez de catalogar os pecados em listas definitivas, como se fazia até 40 anos atrás, antes do Concílio Vaticano II, os sacerdotes evitam estabelecer gradações de culpas e impor penitências proporcionais à sua gravidade.
Teólogos e confessores que seguem esses critérios sabem que não é a orientação oficial, mas insistem numa interpretação menos rigorosa dos manuais, por razões pastorais. Isso vale, por exemplo, em relação à sexualidade.
Durante séculos, muitos moralistas ensinaram que todos os pecados por pensamento, desejos e atos contra o sexto mandamento eram mortais, lembra o alemão Bernhard Haering no livro ''Livres e Fiéis em Cristo - Teologia moral para sacerdotes e leigos'', lamentando a ênfase dada a tudo que se referia a sexo. Isso mudou.
Os católicos continuam, com certeza, a se acusar de pecados contra a castidade e de outras transgressões de caráter pessoal, mas são aconselhados a dar mais importância aos pecados sociais - como injustiça, corrupção e desrespeito dos direitos humanos. Não há mais tanta insistência sobre pecados sexuais, não só porque a pregação dos padres deixou de ser moralizante nessa área, como também porque os fiéis não se acusam mais de atos antes intoleráveis.


