Se por um lado a recomposição de uma época restringe a criatividade do figurinista, que precisa se ater a certas características, por outro facilita o trabalho de pesquisa.
Essas referências são fundamentais para orientar a concepção de figurinos como os de ‘‘Um Moliere Imaginário’’, que recria a atmosfera de sonho do século XVII, data do texto original de Moliere. ‘‘Pesquisamos longamente em livros e filmes até chegar a características específicas da época’’, conta a figurinista Wanda Sgarbi. Assim, os trajes abusam dos babados (inclusive para os homens) e de tecidos como veludo, seda e tule.
As cores puxam para o lilás, tom do limiar entre a noite e o dia, para reforçar o ambiente de sonho. Inspiração forte para isso foi também o surrealismo de Marc Chagall, com suas formas arredondadas e um quê infantil. A leveza é garantida pela profusão de filós.
A pitada de linguagem clown que o diretor Eduardo Moreira concedeu ao clássico trouxe golas maiores e meias coloridas, com um tom de circo. Amplo e confortável, o figurino permite a intensa movimentação dos atores em cena. ‘‘Isso também foi discutido com cada ator ainda na fase dos croquis’’, explica o diretor. ‘‘Uma das modificações foi encurtar as saias’’.
Concebido originalmente como um espetáculo de rua, ‘‘Um Moliere Imaginário’’ tem 80 trajes diferentes para 13 personagens. Wanda Sgarbi e Maria Castilho, que coordenou a execução de todas as peças, já trabalharam para o Grupo Galpão no aplaudido Rua da Amargura.

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