Madonna faz. Sharon Stone não vive sem. Sting mantém a forma com a prática. Consagrado entre as estrelas, o Yoga, técnica indiana com mais de 5 mil anos de aplicação, vai além dos modismos e transcende épocas. Na era da banda larga, da digitalização e da pressa, o Yoga converte-se em um ''pé no freio'' mais do que efetivo.
Conjugando exercícios, controle respiratório, relaxamento e meditação, o Yoga tem atraído uma legião de fãs e adeptos. Em Londrina, a situação não é diferente: a audiência é crescente e cativa.
Graduada em Educação Física, com reconhecimento pela Associação Brasileira de Professores de Yoga, Dagmar Pimenta ministra aulas da prática há dez anos. Segundo a professora, a mente é a principal ''beneficiária'' para quem faz a terapia.
''É preciso treinar a mente, que é alimentada por meio de pensamentos. Contudo, não podemos parar de pensar, mas podemos direcionar e disciplinar nossa mente para o presente momento'', avalia.
Para Dagmar, a técnica, associada à respiração correta, faz com que se abram os ''tempos internos''. ''Esse tempo está dentro de cada um de nós. Com o Yoga, consegue-se o acesso a esse espaço interior, vivendo o presente sem atropelos, respeitando o próprio ritmo'', sustenta.
O saldo? ''Controlamos a ansiedade, os impulsos compulsivos, a agitação e a falta de paciência, bem como a sensação de estarmos sempre atrasados, correndo e insatisfeitos'', aponta a professora.
Outro aspecto importante refere-se ao passado. Com o controle da mente, acentua Dagmar, deixa-se, efetivamente, de olhar para o que ficou para trás. ''Culpas, tristezas e estados depressivos são postos de lado. Essa percepção inicialmente é intelectual, às vezes nebulosa, mas, à medida que evolui na prática, fortalece-se e afirma-se. Então, passa a ser vivencial''.
Cifrões em estado zen
Conjugar a rotina nos dias atuais já não é fácil. Imagine-se, então, lidar com números, metas e cobranças. Pois é nesse ambiente - sim, trata-se de um Banco - que a gerente Dina Martos Villas Boas passa boa parte de seu dia.
Há um ano, após um problema de saúde, Dina procurou as aulas de Yoga, por recomendação médica. ''Mudei a minha vida. Acalmei minha mente, obtive o equilíbrio emocional e, de quebra, passei a ficar mais centrada em minha profissão''.
Entre os exemplos do cotidiano, Dina cita a própria convivência, no âmbito familiar e no emprego. ''O Yoga me trouxe o autocontrole. Hoje, respiro, conto até muito além de dez e tenho, como principal característica, o pensamento positivo''.
As mudanças na vida de Dina extrapolam as fronteiras do convívio. A silhueta agradece. ''O Yoga me condicionou a beber mais água, consumir mais alimentos naturais. Quando digo que mudei minha vida, refiro-me, também, aos hábitos alimentares'', destaca.
O dono do dia
O arte-finalista Rafael Gomes dos Santos, 21 anos, não hesita em dizer: a cura para seus problemas e inquietações veio com o Yoga. ''Eu estava perdendo a fome, não dormia à noite, estressava por qualquer coisa e não dava conta do meu planejamento. Resultado: era uma pessoa estressada, fora do centro''.
Dizendo-se ''afinado como um violão'', após a prática continuada, Rafael, que frequenta as aulas de Yoga com duração de 1h30, duas vezes por semana, hoje é o dono de seu dia. E não dispensa seu ''caderninho''. ''Uma dica que dou, no início, é a pessoa escrever, em um caderno, suas virtudes boas e ruins. Se a pessoa estiver desanimada, ao olhar para as virtudes boas, terá projetada a imagem mental que traz a felicidade. Funciona!''.
A FOLHA teve acesso - com a devida autorização, ressalte-se aqui -, ao famoso ''caderninho'' do arte-finalista. ''Agradeço por ser mais tranquilo, responsável, esforçado, saudável, simpático e sábio; por produzir mais pensamentos com coragem e vontade. Agradeço a Deus por administrar meus pensamentos, com criatividade, concentração e singeleza'', foram as palavras expressas.
Da água para o vinho
Aos 49 anos, a comerciante Ângela Maria de Castro Almeida só reclama de uma coisa: ter descoberto o Yoga há pouco tempo. ''Pratico há um ano e meio e, nesses pouco mais de 15 meses, melhorei mais de 1000%. Antes, era um galinho de briga, hoje, sou a personificação da paz interior. Só me arrependo de não ter começado antes'', conta, aos risos.
Entre os exemplos do passado como ''galinho de briga'', Ângela cita o trânsito. ''No farol eu buzinava, não tinha paciência para nada. Mudei da água para o vinho''. Afeita aos números, Ângela faz a ressalva ao comentar o ambiente de trabalho. ''Já melhorei 80%, mas ainda tenho de melhorar um pouco mais''.

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