PATRIMÔNIO NATURAL - Ela é particular...
Grandes áreas de relevância ambiental localizadas em propriedades privadas podem ser transformadas em unidades de conservação. Através da criação das Reservas Particulares de Patrimônio Natural, esses importantes fragmentos dos biomas brasileiros são protegidos perpetuamente. Trata-se de um legado que particulares têm deixado cada vez mais para a coletividade. Atualmente, o Paraná abriga 222 RPPNs, que somam mais de 50 mil hectares protegidos em áreas particulares.
A criação de uma RPPN, segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, é feita voluntariamente pelo proprietário do espaço que, mesmo após a criação da unidade, continua sendo dono da área. A reserva pode ser feita em toda propriedade ou em parte dela, a depender da importância da área e da vontade do proprietário.
O gestor ambiental Gustavo Góes, membro da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), explica que as RPPNs funcionam como zona de amortecimento de outros fragmentos de maior complexidade e extensão. "Na Mata dos Godoy, por exemplo, que é o remanescente de Mata Atlântica mais importante que possuímos na região de Londrina, as RPPNs funcionariam como um complemento da área, protegendo as espécies do local e do entorno", explica.
Outras modalidades de unidades de conservação também corresponderiam às necessidades ambientais de grandes fragmentos e do bioma, de uma forma geral, mas as RPPNs se destacam pelas facilidades na criação: "Criar uma RPPN é um processo bem menos burocrático que o das outras unidades. Para dar entrada no órgão ambiental é preciso estar com todas as documentações em dia, com as áreas de preservação averbadas e sem pendências fundiárias", ressalta Góes. "Além disso, por ser voluntário, o proprietário já está 100% interessado, não é necessário convencê-lo da importância da área."
Ele explica que o incentivo na criação de novas RPPNs, sobretudo na região de Londrina, é essencial para preservação do bioma Mata Atlântica, uma vez que o Brasil tem sete anos para concluir as Metas de Aichi. Elaboradas pela Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, as Metas de Aichi para a Biodiversidade propõem a preservação de 17% de cada bioma terrestre do Brasil. "A Mata Atlântica não chega a 10% de bioma preservado, sendo o mais devastado do País. Fomentar a criação de RPPNs é uma estratégia urgente", aponta Gustavo Góes.






