São Paulo - Com ela, no in-line não tem para ninguém. Sete vezes medalhista de ouro do X-Games, a olimpíada dos esportes radicais, a paulistana Fabíola da Silva é considerada uma rainha dos patins. Agora, seu grande desafio é o on-line: Fabíola quer contar com a ajuda da WEB para divulgar a patinação pelo Brasil - especialmente entre o público feminino.
  Ícone entre a garotada, Fabíola já até virou boneca e personagem de game. Por isso mesmo, quer usar a força de sua imagem para ‘‘arrebanhar’’ novas pessoas para o mundo dos patins. ‘‘Até pouco tempo atrás, só era possível acompanhar os esportes radicais na TV a cabo. Hoje a internet está se mostrando um veículo de comunicação muito forte, às vezes até mais do que a televisão’’, diz. ‘‘Já existem diversos sites de vídeos e assistir às competições está cada vez mais fácil.’’
  Fabíola surgiu no circuito radical com apenas 16 anos, magra e pequena. Só isso foi suficiente para chamar a atenção da mídia e dos próprios competidores, afinal, ter uma adolescente de patins in-line encarando uma rampa de quatro metros de altura não era algo que se via todo dia.
  A garota se destacou tanto que inspirou outras meninas a se arriscarem na modalidade. Em 2000, ela passou a competir de igual para igual com os atletas masculinos e inspirou a criação da ‘‘Regra da Fabíola’’, que desde então permite às mulheres disputarem também as finais masculinas, seja no street (quando o patinador pula obstáculos, como corrimões) ou no vertical, em que o atleta faz manobras no half-pipe, uma pista em formato de ‘‘U’’.
  Isso é bacana? Sim, pois Fabíola não faz feio entre os patinadores - além do mais, chega a ser meio feminista, um grito de igualdade. Mas aí mora um problema também. Tal regra não foi feita porque não há patinadoras à altura de Fabíola. Realmente não há patinadoras mesmo, mas de uma maneira geral.
  Na edição brasileira do X-Games, que rolou em São Paulo em maio, não houve competição de patins - masculina, inclusive. Houve apenas uma apresentação, da qual Fabíola participou.
  ‘‘Foi triste, ainda mais por o X-Games estar na minha cida-de’’, lamenta. ‘‘Infelizmente na categoria da qual participo, o vertical, só eu e a japonesa Ayumi Kawasaki competimos sempre’’, completa.
Novos ares
  Pelo menos durante os três dias do torneio Fabíola deixou de lado as manobras e encarou outra aventura: ser repórter. Ela cobriu os bastidores da disputa para a ESPN Brasil e para um site especial da operadora de celular Oi. Munida apenas de um telefone móvel em suas mãos, Fabíola também aproveitou a competição para postar em seu blog pequenos textos e fotos sobre o que rolou no X-Games paulistano.
  Aliás, falando em weblogs, Fabíola já teve vários. Atualmente ela escreve no http://fabioladasilva.blog.oi.com.br, um grande diário para contar sobre sua vida de atleta, já que viaja o tempo todo. ‘‘É mais um espaço para interagir com os fãs, dizer onde estou com-petindo’’, explica.
  Essa interação vem fazendo a patinadora se dedicar cada vez mais à WEB. O seu site (www.fabioladasilva.com.br) é multimídia, com um perfil no YouTube para colocar alguns vídeos de suas entrevistas e competições. Há material antigo e inédito.
  ‘‘A internet é o maior canal de divulgação hoje. Qualquer coisa que eu solto na rede corre o mundo em segundos’’, comenta. ‘‘Em 1996 eu era muito jovem e não sabia o tamanho da importância de minha imagem. Nem site eu tinha. Se estivesse começando agora, muita coisa poderia ser diferente’’, continua.
  A patinadora viu nessas ferramentas o enorme canal de comunicação - direto - que ganhou com o seu público. Ela jura receber vários e-mails por dia - e, acreditem, não é só a molecada que a procura. Muitos pais mandam recadinhos pelos seus filhos. Dizem que gostam de patinar e perguntam se realmente dá para viver apenas dos patins.
  Fabíola também vê com esperança o (possível) novo gás que a patinação pode receber em tempos pós-YouTube. ‘‘Disputei o (campeonato) Winterclash na Alemanha e deu para ver toda a competição na internet. É impressionante!’’
  ‘‘Teve outro torneio que não fui, mas acompanhei tudo pelo YouTube também. Acabava uma prova e logo depois já entrava no site um vídeo. Editado!’’, diz. ‘‘Para o jovem, que já procura muito mais informação, isso é ótimo.’’
Escolinha
  Embora viva em Los Angeles, nos EUA, há oito meses ela criou uma escolinha de patinação no bairro do Morumbi, em São Paulo. O projeto, que fica na pista da Rollerbrothers, tem o intuito de criar novos talentos para o esporte e mostrar, que com o incentivo certo, futuros profissionais das rodinhas poderão sair dali.
  Fabíola também está organizando competições no Brasil. ‘‘Futuramente penso em criar um centro de treinamento apropriado, para que o esportista não tenha tanto que viajar e praticar no exterior’’, sonha.
  ‘‘Eu quero estar mais presente no País, quero que o esporte bombe de novo por aqui. Isso é um... um... Peraí que eu às vezes esqueço de falar português’’, interrompe, rindo. Ela pensa por alguns poucos segundos e conclui, com um leve sorriso. ‘‘Um desafio. Isso é um desafio.’’

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