Na porta dos estabelecimentos, placas anunciam pastéis, lanches e almoços -''Comida chinesa e brasileira''. Os preços baixos se destacam com letras azuis e vermelhas no fundo amarelo. As lanchonetes são parecidas, ficam muito perto umas das outras e a concorrência de preço é acirrada. ''Mas por que todas são tão parecidas?'' A resposta é simples. Quando chegaram em Curitiba, os imigrantes moravam com os conterrâneos já estabelecidos e iam imitando a forma de organizar o comércio. E foi assim também com os fornecedores.
Tímido como seus clientes, o pintor que se identificou apenas como José e não quis dar o sobrenome, faz placas de preços para estabelecimentos de chineses há aproximadamente oito anos. Ele conta que no começo prestava muito serviço aos comerciantes, mas, hoje, poucos o procuram, apenas para trocar os preços anunciados. ''Um faz e indica pro outro'', afirma.
''Saímos do nosso país para trabalhar muito. Em um lugar onde não conhecemos direito a língua, com hábitos diferentes e o espírito de luta, investimos no trabalho e perseverança'', afirma o imigrante Willian Wing. E todo o trabalho vale a pena. Eles afirmam que não possuem um padrão de consumo norte-americano, mas a situação financeira é bem melhor da que teriam em seus países de origem.
''A gente não foge do trabalho. Tendo um lar e o mínimo para sobreviver, estamos satisfeitos'', diz Wing. Os imigrantes investem muito nos estudos de seus filhos. A maioria matriculou as crianças em um mesmo colégio particular da cidade.
Depois de tanto trabalho, duas atividades são características do chineses que moram em Curitiba. Eles frequentam a Igreja Presbiteriana e são sócios do Clube Santa Mônica. ''Depois de 20 anos só trabalhando, a gente se diverte um pouco agora. Também vamos pra praia, pra sair um pouquinho da rotina'', afirma o comerciante de uma distribuidora de doces Almeida Cheang, 44. (C.G.B.)

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