Se você perguntar a algum morador de Curitiba qual é a Rua Ferando Moreira é provável que a pessoa pense um pouco e talvez até não saiba responder. No entanto se perguntar onde fica a rua dos chorões é bem capaz que a resposta já esteja na ponta da língua. Prova disso é que na hora de explicar o endereço do seu estabelecimento comercial, o empresário Edson de Castro sempre reforça. "É na rua dos chorões". "É muito mais conhecida, principalmente pelo pessoal mais antigo", diz.
Os chorões, árvores da espécie salix cujos galhos pendem com a gravidade formando uma grande cabeleira, estão alocados nas duas margens do Rio Ivo, quando este passa pela superfície, no Centro da capital. Sua presença já se tornou parte da identidade da cidade e marca a história de alguns moradores da região.
É o caso de Castro, que cresceu nos arredores dessa rua. A casa onde está instalada sua empresa, a Artegráfica, foi construída no início do século passado, e a atual atividade comercial praticada ali iniciou-se em 1958. O imóvel pertenceu ao seu avô e depois ao seu pai. "Cresci entre os chorões", afirma. Ele lembra do tempo em que era possível pescar no Rio Ivo "uns peixinhos barrigudos". Naquela época o rio não era canalizado e mais à frente, onde hoje está a Praça 29 de Março, existia um bosque.
Todas essas lembranças têm como pano de fundo os galhos finos dos chorões. Ele recorda, por exemplo, as estratégias de gestões passadas da prefeitura de Curitiba, como no tempo do ex-prefeito Jaime Lerner, que instalou holofotes embaixo das árvores criando um belo efeito de luz e sombra durante a noite. Também marcaram a memória os acidentes frequentes que ocorriam na rua, onde os carros acabavam dentro do rio.
Outro antigo morador da região, que preferiu não se identificar, lembra dos tempos de menino, quando, por volta de 1945, ele e outros moleques da região travavam verdadeiras guerras de pedras de barro. "Era a turma de um lado contra a turma do outro lado do rio" recorda. No meio, a proteção dos chorões. Segundo ele, a casa que habita atualmente foi a primeira construída na Rua Fernando Moreira.
Tanto ele quanto Castro sentiram uma pontada de saudade quando a prefeitura iniciou a revitalização da arborização na via e precisou derrubar vários chorões, mas ambos também acreditam que a reforma será positiva no futuro. Até que as mudas plantadas recentemente crescam, eles terão que se acostumar com a paisagem diferente.

mockup