PASSEIO DE DOMINGO - Um ponto de encontro chamado Shangri-lá
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sábado, 12 de maio de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Entre seus corredores e boxes, o Mercado Municipal Shangri-lá, que chega, em 2007, aos 39 anos de funcionamento, vai muito além de um centro completo de compras, como de fato se define. O espaço é um convite ao lazer, parecendo-se, em especial aos domingos, a um ponto de encontro - parada obrigatória de muitos londrinenses.
Inaugurado em março de 1968, o Shangri-lá conserva um ''clima'' especial, sendo, para muitos, identidade do bom gosto. Flores, peixes, frutas, legumes, carnes exóticas, as melhores safras de vinho e muitas, muitas especiarias são alguns de seus inúmeros atrativos. Até um cyber café, para os afeitos à navegação na internet, tem. Sinônimo da evolução dos tempos.
Turístico - O médico Nereu Genta, de 73 anos, frequenta o Mercadão desde seu surgimento. ''Lembro-me de quando não havia nada no terreno. Acompanhei a história desde a época em que surgiu o loteamento, que já foi sede da PM e, posteriormente, deu vez ao Mercado. Fiquei contente, pois sempre sonhava com um Mercadão nessa região''.
Para Genta, o destaque do Shangri-lá são os produtos diferenciados. ''O mercado apresenta produtos selecionados. Quando quero um vinho, um queijo, uma peça de carne de javali ou outras carnes selvagens, opto pelo Shangri-lá'', conta o médico, que, aos domingos, não deixa de comer seu pastel e beber um refrigerante por aqueles lados.
Habituado a encontrar tudo o que procura no Shangri-lá, Genta atribui ao mercado a condição de ponto de referência em Londrina. ''Quando meus familiares vêm de viagem à cidade, a primeira coisa que fazemos é ir ao Shangri-lá. Para mim, o Mercadão é um ponto turístico'', finaliza o ortopedista.
Sofisticado - Os passeios aos domingos, no Shangri-lá, também se tornaram parte da rotina da empresária Alice Takeda. ''Parece que o domingo não é o mesmo quando deixo de passar por aqui. Muitas vezes nem tenho o que comprar e me vejo automaticamente a caminho, nunca me arrependo!''.
Sempre ligada ao que há de novo, ''seja em produtos, seja na simples mudança da maneira de expor as ofertas'', Alice vai ao Shangri-lá há 30 anos. E enumera as melhorias. ''Acompanhei algumas mudanças durante esse tempo, como iniciativas de alguns comerciantes em instalar ar condicionado, vitrines e balcões atraentes, mesas e cadeiras para melhor acomodação, além da oferta de produtos mais sofisticados, como, por exemplo, as frutas exóticas e os importados''.
Guardadas as devidas proporções, seria o Shangri-lá a porção pé-vermelha do Mercado Municipal de São Paulo? Para Alice, em termos de descontração, sim. ''O clima lembra o mercado paulistano, mas o Shangri-lá fica a desejar em relação à variedade de produtos. Em contrapartida, é de fácil localização e sempre encontramos os amigos'', revela a empresária, que deixa uma sugestão: ''um box especializado em sanduíches de mortadela, pastéis de bacalhau e camarão, tal qual o de São Paulo. Que delícia!''.
Familiar - Nos momentos de lazer do engenheiro agrônomo Raphael Rodrigues Fróes, da esposa, Raphaela, e da filha, Laura, domingo é no Shangri-lá. ''Venho há mais de 15 anos ao mercado e sempre acabo encontrando amigos e familiares'', conta Raphael.
Diante de tantas opções, já que são clientes da peixaria à floricultura, difícil mesmo, para Raphael e sua família, é dizer o que há de melhor no Shangri-lá. ''Entre os lugares que indico, há aqueles em que encontramos tudo o que já se tem em grandes mercados, com a diferença do atendimento personalizado. Gosto de comprar verduras e frutas também, pois vêm com uma aparência muito boa'', complementa o engenheiro agrônomo.
Curtindo a happy hour e vestindo a camisa de seu time, o São Paulo, a advogada Patrícia Donomae dá bem idéia do clima do Shangri-lá: descontração. Além de deixar a ''beca'' de lado, Patrícia, que vai sempre ao Mercadão na companhia do marido, define sua relação com o espaço. ''O ambiente é um convite ao lazer, encontramos pessoas conhecidas e é bom até profissionalmente falando, afinal, quem não é visto, não é lembrado'', sentencia.
Charmoso - Com residência fixa em Londrina há mais de duas décadas, quando veio do Rio de Janeiro, a empresária Heloísa Provedello, que se define ''paranaense de coração'', considera o Shangri-lá ''um charme''. ''Ao contrário dos mercados e shoppings, totalmente comerciais, o Mercadão tem toda uma conotação de convívio''.
Além de abastecer a geladeira, aos domingos, Heloísa sempre aproveita a ida ao Shangri-lá para dar aquela espiada nas últimas novidades em decoração. ''Afinal, qual mulher não gosta?'', arremata.
O charme do Shangri-lá também cativa a publicitária Elizabeth Puccia, que segue o mesmo caminho, um domingo sim, o outro também. Logo na entrada, confere na banca as últimas publicações e escolhe as revistas e jornais que vai levar para casa.
Feito isso, hora e vez de renovar o estoque de flores. ''Não saio daqui sem comprar uma flor'', revela a publicitária, que, após o café, já segue rumo ao Shangri-lá.
Adepta das dietas, Elizabeth encontra os produtos de baixa caloria nas prateleiras do Mercadão. ''Sempre compro uns salgadinhos torrados, feitos de farinha de arroz, entre outros petiscos, de fácil digestão. No café-da-manhã, meu marido come pão com um azeite árabe que só encontro por aqui''.
Como explica Elizabeth, para quem o domingo na cidade ''transpira Mercado'', a lista de itens singulares não pára por aqui. ''Recentemente, minha filha fez aniversário e promovemos um jantar tailandês. Só encontramos os ingredientes no Shangri-lá. Quando quero um carneiro com corte especial ou um arroz selvagem, por exemplo, tenho certeza de que aqui vamos encontrar'', comenta Elizabeth, que deixa o marido, ''fera na cozinha'', a cargo das caçarolas.
A lista de predicados do Shangri-lá, segundo a empresária, tem tudo para aumentar. ''Sugiro um projeto de expansão. Imaginem se a entrada principal fosse reformada e ali fosse estabelecido o centro de convivência, coberto por um toldo, com o próprio barzinho, mesas, além da exposição de pratos, para degustação. Devia-se, também, aproveitar a proximidade com a floricultura para ornamentar a fachada. O Shangri-lá tem clientes de todas as partes e isso só viria agregar valor''.
Sempre aos domingos - Música logo na entrada, compras, lazer, interação. Os ingredientes que fazem o sucesso do Mercado Shangri-lá já são conhecidos. Mas, afinal, em qual período do ano os domingos do Mercadão mais fervilham?
Para o empresário João Medeiros, quinto proprietário mais antigo de um espaço no Shangri-lá, a resposta é no inverno. ''No verão, o movimento aos domingos é ótimo, mas o pessoal em geral acaba indo aos clubes, piscinas. No inverno, os domingos do Shangri-lá ficam ainda mais intransitáveis'', assegura.
Entre os dias e datas especiais, o domingo ganha, disparado, segundo o empresário, há 25 anos no Shangri-lá. ''O domingo é excepcional, é o filé mignon. Feriados, Natal, Ano Novo, Dia nos Namorados e outras datas comemorativas vêm na sequência''.
Serviço:
Mercado Municipal Shangri-lá
Rua Visconde de Mauá, 168
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 7 às 19 horas. Aos domingos, o horário é das 7 às 13 horas.


