Passaredo curitibano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de abril de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Eles estão por toda parte, basta olhar para o céu, para os galhos das árvores ou para o chão das praças, para notar que a capital paranaense está repleta de pássaros, de vários tipos, cores e tamanhos. Com o ouvido educado, é possível diferenciar os diferentes cantos que se fundem numa das mais belas sinfonias da natureza. Segundo um estudo recente, um dos mais completos já realizados sobre o tema, Curitiba possui 364 espécies diferentes de aves, sendo que as mais comumente observadas são o sabiá vermelho e laranjado, o joão-de-barro, o periquito verde, a rolinha paruru, o bem-te-vi, o sanhaço cinzento, a curruíra, o quero-quero e a pomba de bando. Essa última, semelhante à pomba doméstica, vêm se reproduzindo facilmente na cidade, onde encontra fartura de alimentos.
A pesquisa foi conduzida por diversos profissionais da área, entre eles o ornitólogo da prefeitura Pedro Scherer Neto. Segundo ele, essas são espécies que se adaptam com facilidade ao meio urbano e estão distribuídas nesse cenário conforme a arborização e a composição vegetal de cada local. O quero-quero gosta de gramados e áreas planas, outros já fazem os ninhos nas árvores, afirma o especialista.
Aves de maior porte, como o jacú, a saracura, o gavião e o urubu também engordam a lista daqueles que se adaptam à paisagem curitibana. Eles têm aproveitado o topo dos edifícios para se reproduzir.
Tamanha variedade pode ser explicada em parte pela localização favorável de Curitiba. Ela está no primeiro planalto, entre a floresta ombrófila mista e a floresta ombrófila densa que vai da serra do mar até o litoral, explica Scherer. O fato dos municípios da região metropolitana apresentarem boa quantidade de áreas verdes contribui para esse resultado.
Também é possível encontrar animais de outras regiões, como o papagaio verdadeiro, que já pode ser visto aos bandos voando pelos céus da capital. Segundo Scherer é provável que esses pássaros tenham fugido do cativeiro e se reproduzido, já que a espécie não é natural do Paraná.
Apesar do número de espécies encontradas, é difícil prever quais desapareceram da fauna local. É muito difícil monitorar todas as regiões e saber se uma espécie deixou a região, diz o especialista.


