Passagem para a intenção terapêutica
Mauro FrassonO psiquiatra francês Samuel Lajeunesse veio a Curitiba passar um pouco de sua experiência na arteterapiaA arteterapia começou a ser tratada mais seriamente no início dos anos 50, na França. Entretanto, desde o final do século passado já se tem notícias de que muitos pacientes de hospitais franceses utilizavam suas horas livres pintando. Os médicos, por sua vez, pegavam estes quadros para realizar exposições. A intenção era puramente artística. Não havia intenção terapêutica, explica o francês Samuel Lajeunesse, uma das maiores autoridades em psiquiatria em todo o mundo. Ele veio a Curitiba na semana passada participar do 6º Congresso Brasileiro de Psiquiatria Clínica. No evento, Lajeunesse falou sobre arteterapia.
A primeira vez em que se falou sobre a função terapêutica das artes plásticas foi no Congresso Internacional de Psiquiatria que ocorreu na início da década de 50. A partir de então acabou a chamada Arte de Hospício e começou-se a discutir mais seriamente a arteterapia, disse Lajeunesse. As manifestações artísticas - teatro, pintura, música, - passaram a ser usadas no tratamento de pacientes de hospitais, hospícios, casas de repouso e presídios.
A criação artística, conta o francês, permite que os pacientes se relacionem com o psicoterapeuta e com o mundo ao seu redor . O paciente demonstra maior interesse e passa a ter prazer, afirma Lajeunesse. Entretanto ele faz uma ressalva, arteterapia não visa uma transformação comportamental e sim o bem estar de um paciente.
Albari RosaQuadros pintados por paciente do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz através da arteterapia
O psiquiatra francês também explica que a aplicação da arteterapia deve ser muito bem estudada. Não é se devemos aplicar, mas sim se podemos aplica-la em determinado paciente. Para isso é necessário ter terapeutas capacitados, ter pacientes que tenham certa aptidão para determinados trabalhos artísticos e principalmente, saber se a doença permite que o paciente participe.
Lajeunesse atenta para outro detalhe comum em certos tratamentos. No início da arteterapia se acreditava que seria possível, através de um quadro, de um movimento ou de uma expressão, definir qual o problema de determinado doente. Isso é praticamente impossível, afirma o psiquiatra francês. No entanto, ele diz que certos casos é possível decifrar qual a impressão que o paciente tem do mundo à sua volta. Isso depende muito do que o psicoterapeuta que está trabalhando com o paciente entender do quadro, comenta.





