A vinda da família imperial a Curitiba e demais cidades da província do Paraná (da Capital a comitiva seguiu para Campo Largo, Ponta Grossa, Palmeira, Castro e Lapa) não teve grandes desdobramentos para a política e a economia locais, de acordo com o professor do departamento de Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira. ''Foi considerada uma visita de rotina administrativa e política. A conjectura não traduzia maior significado'', explica o professor. A visita apenas promoveu o contato com as elites locais, e algumas autoridades foram agraciadas com títulos do Império.
O movimento republicano ainda não tinha representantes no Paraná e a visita do Imperador não teve registros de manifestações contrárias por aqui. Ao contrário, a passagem da família imperial foi motivo de orgulho para Curitiba, segundo relato da época. ''Em todas as ruas e em todas as casas, raras sendo as não embandeiradas, sem distincção de nacionalidade, via-se uma rica e deslumbrante illuminação, indescriptivel, phantastica. Arcos triumphaes e alas de pinheiros, symetricamente plantados, viam-se em todas as ruas e largos'', descreve o jornal Dezenove de Dezembro. E na primeira noite da comitiva imperial na cidade, os salões do Paço foram abertos para quem quisesse cumprimentar o Imperador e a Imperatriz Teresa Cristina.
A visita rendeu também situações curiosas, como a da libertação de escravos em homenagem aos ilustres visitantes, com direito a registro na imprensa local. Conta o jornal Dezenove de Dezembro que a baroneza de Tibagy, mãe do conselheiro Jesuino Marcondes d'Oliveira e Sá, ''querendo significar por um acto de humanidade o seu regosijo por motivo da visita de Suas Magestades Imperiaes á provincia, concedeu liberdade a seus escravos Manoel e Raquel desde o dia em que Suas Magestades chegassem à província e assegurou aos libertos alimentos e vestuário caso preferissem permanecer na casa de seus senhores''. (D.R.)

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