Passado glorioso, futuro incerto
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Do passado de glórias ao presente de vexames, um futuro de incertezas. Desta forma pode ser resumido o futebol londrinense, que se acostumou a figurar entre os destaques, e agora tem que se adaptar ao simples papel de coadjuvante.
Nestes 70 anos de história, a cidade viu sua principal equipe profissional, o Londrina Esporte Clube (LEC), ser três vezes campeã estadual 62, 81 e 92. Viu também o clube terminar a Série B do Campeonato Brasileiro deste ano na última posição e ser rebaixado para a terceira divisão. Mesma Série B da qual foi campeão em 80, quando a competição ainda se chamava Taça de Prata.
Teve prazer e orgulho de ver desfilar pelos gramados brasileiros, com a camisa alviceleste, jogadores como Gauchinho, Carlos Alberto Garcia, Brandão e Éverton na época áurea, e teve a decepção e a vergonha de ver, neste último deprimente ano, protótipos de boleiros como Alessandro Bocão, Jackson e Neném.
A cidade não vê nenhuma perspectiva de melhora no futuro. A luz no fim do túnel está tão distante que quase ninguém a vê, ao não ser alguns poucos que diariamente a procuram, cumprindo suas obrigações de tentar achá-la. Do futuro, podemos esperar a mínima reestruturação. Não dá para passar a imagem de que está bem, afirmou o presidente Agostinho Miguel Garrote, em tom um tanto desanimado e tentando achar forças para a empreitada.
Nestes anos todos, Londrina também viu o mocinho virar o vilão da história. O ex-meia-atacante Carlos Alberto Garcia, o bem amado, idolatrado pela torcida, foi do céu ao inferno em apenas oito meses, tempo em que permaneceu na presidência do LEC. Principal responsável pela brilhante campanha na Série A do Brasileirão, em 77, quando o time sucumbiu somente na semifinal diante do Atlético-MG, e pelos títulos de 80 e 81, Garcia foi um desastre como dirigente e viu o clube ser rebaixado este ano. Dias antes da confirmação do descenso ele renunciou ao cargo.
Mas muito antes de Londrina ver o Tubarão brilhar já via o futebol amador. E como via. Domingo todo mundo já tinha um compromisso: assistir aos confrontos do time da sua vila com o do bairro vizinho. Os jogos paravam as vilas, rememora Otávio Gianelli, o Limpa-Trilho, de 62 anos, sendo 43 deles, dedicados ao futebol amador de Londrina. Cada time tinha seu campo na sua vila, completa.
Dois desses times tiveram mais sorte do que os outros. O Corinthinha, da Vila Ipiranga, e o XV de Novembro, da Vila da Fraternidade, foram campeões da Taça Paraná, principal competição dos clubes amadores do Estado.
E foi daí que saíram grandes nomes do futebol brasileiro. Reserva do goleiro Menegazzi no Corinthinha, Ado saiu dos campos das vilas londrinenses para brilhar com a camisa do Londrina, do Corinthians e da Seleção Brasileira, onde foi tricampeão mundial em 70, ao lado de Pelé, Tostão, Rivellino e toda a constelação.
Outro que seguiu os mesmos caminhos foi o também goleiro Neneca, que, depois de defender o Tupiniquim da Vila Casoni, foi campeão brasileiro pelo Guarani em 78.
Hoje o futebol amador de Londrina está mudado. Os poucos times que disputam os campeonatos organizados pela Liga de Futebol de Londrina (LFL), contam com muitos ex-profissionais e com jogadores importados. A maioria deles ganha para jogar. Hoje não existe mais amadorismo em Londrina, lamenta Limpa-Trilho.
A fartura de campos já não é a mesma. Tinha muito campo, muito time e muito campeonato. O progresso e o futebol suíço acabaram com o futebol amador em Londrina, acrescenta Limpa-Trilho, ex-presidente da LFL.


