No início da década de 50, morar em Maringá era sinônimo de muita coragem e determinação. A Cidade ainda estava em fase de desenvolvimento - foi fundada em 1947 - e oferecia o mínimo de conforto aos pioneiros. Ruas de terra, mata e lama formavam o cenário da pequena cidade que surgia de forma planejada sim; mas enfrentando enormes dificuldades. Além do desconforto da poeira e da lama, Maringá oferecia um mínimo de infra-estrutura, e os moradores, muitas vezes, tinham que recorrer a outras cidades como Mandaguari e Londrina para suprir suas necessidades. Na área da saúde, havia poucos hospitais e também um número reduzido de profissionais. Era possível contar nos dedos o número de médicos, e os profissionais de enfermagem eram raros. Rara e imprescindível também foi a dedicação da primeira enfermeira obstetra de Maringá: a irmã Calixta. Hoje com 75 anos, ela já não exerce a profissão, mas lembra com humildade e prazer, o árduo trabalho de salvar vidas, quase sempre de pessoas carentes que não tinham acesso aos exames médicos.
Irmã Calixta pertence à comunidade religiosa Congregação Missionária Santo Nome de Maria. Ela chegou em Maringá em 1956, vindo da cidade de Osnabruck, na Alemanha. Falando muito pouco o português, a missionária logo começou a trabalhar na Santa Casa. Trabalhava das 8 às 14 horas e depois voltava para a comunidade para estudar a língua portuguesa. Bastaram alguns meses para a irmã Calixta perceber que a Cidade tinha uma incrível carência de profissionais da área de obstetrícia. Os poucos médicos obstetras não conseguiam atender à demanda e a maioria dos partos era feita por parteiras, pessoas da comunidade sem conhecimento técnico de enfermagem e obstetrícia.Marcos NegriniDo passado, além dos muitos partos que realizou, irmã Calixta também se recorda da falta de estrutura da Cidade: ‘‘Muitas vezes não havia luz e nem água, mas não faltavam poeira e barro’’Lucinéia Parra

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