Partido chegou a pensar em lançar outro candidato
a derrota de Lula em 94 acirrou as divergências internas do PT e desnorteou a oposição. No ano passado, dirigentes do partido cogitaram da possibilidade de lançar um candidato com um perfil mais intelectual para enfrentar o presidente Fernando Henrique na eleição deste ano. Os nomes do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro e do atual governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foram levantados, mas o partido decidiu apostar no contraste e insistir na candidatura Lula.
Com a perspectiva de um cenário eleitoral em que o desemprego ocuparia o centro do debate, o PT avaliou que a candidatura de um líder sindical histórico poderia ser bem sucedida, caso se formasse ao redor dela uma aliança de todos os partidos de esquerda. Essa aliança foi costurada com o envolvimento direto de Lula, que teve de enfrentar a ala radical do PT para garantir o apoio do PDT de Leonel Brizola, que aceitou coadjuvar a candidatura de um metalúrgico como candidato a vice-presidente.
O perfil negociador de Lula, que seus aliados procuram enfatizar nesta campanha, foi moldado na luta do movimento sindical. Em 69, quando trabalhava nas Indústrias Villares, no ABC paulista, ele ingressou na diretoria do sindicato pelas mãos do irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico, militante do então clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB). Lula chegou à presidência do sindicato em 75 com 92% dos votos e foi reconduzido em 78 - depois da greve que marcaria a renovação do sindicalismo brasileiro -, com 98% dos votos.
A efervescência das greves no ABC no fim da década de 70 atraiu personalidades da esquerda brasileira que, em fevereiro de 1980, fundariam o PT, um partido originado na luta dos
trabalhadores organizados e dos movimentos populares.





