Os benefícios trazidos pelo crescimento industrial do Paraná parecem mesmo ter vindo para ficar. Segundo análise do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), a dinâmica da economia estadual vai continuar a ser ‘‘puxada’’, em primeiro lugar, pelo parque automotivo, que traz em sua esteira o crescimento do setor da construção civil, fator ligado aos investimentos feitos pelo governo na infra-estrutura do Estado.
‘‘O Paraná está realmente mudando seu perfil econômico’’, afirma o economista Gilmar Lourenço, coordenador do Núcleo de Estudos Econômicos do Ipardes. Segundo ele, o setor automotivo será o carro-chefe da economia, por ter um efeito multiplicador de longo alcance. O Estado, na verdade, já se tornou o segundo pólo automotivo do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. E apresenta ainda uma vantagem em relação ao Estado vizinho. As montadoras que aqui se instalam são mais modernas e eficientes.
As conclusões de estudos do Ipardes apontam quatro setores na liderança da economia. Além do automotivo e da construção civil, continuam crescendo os setores de agronegócios, no qual o Paraná tem larga tradição, e o papeleiro-madeireiro. Este último atraiu para o Estado quatro unidades empresariais que utilizam tecnologia avançada. Já o agronegócio passa também pela modernização, sempre liderado pela estrutura cooperativista, outra grande tradição paranaense. Um exemplo: 60% da soja produzida aqui é resultado do esforço das grandes cooperativas, que já se profissionalizaram.
As montadoras e os fornecedores que vieram junto (hoje já são cerca de 40) possibilitam que empresas paranaenses se habilitem a também serem fornecedores, numa chamada segunda camada. ‘‘Com o ajuste fiscal realizado, as grandes indústrias vão preferir a nacionalização dos produtos’’, avalia Gilmar Lourenço. Isso deve incentivar a capacitação tecnológica de empresas locais. Em sua opinião, elas apenas precisam de retaguarda do governo e de instituições privadas, como a Fiep, as universidades, os Cefets e o Sebrae.
Tudo isso está contribuindo para transformar o Paraná na quarta economia brasileira. O que se reflete em vários setores. Apenas um exemplo: o Estado deve fechar o balanço do ano passado registrando aumento considerável na arrecadação de ICMS - 2,4% acima do ano anterior. Ou seja, passou de R$ 2,07 bilhões para R$ 2,12 bilhões, já descontados os 25% destinados aos municípios.

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