Parcerias solidárias
A experiência de alguns empreendedores de Londrina demonstra que a especulação imobiliária nem sempre é nociva ao meio ambiente. A revitalização de duas áreas do vale do Ribeirão das Capivaras - que nasce atrás do Catuaí Shopping e forma o chamado "braço" do Lago Igapó (Zona Sul)- é um exemplo de parceria de sucesso entre incorporadora e comunidade local para preservação da natureza.
Quando começou a construir o condomínio Vale das Araucárias, na região da avenida Garibaldi Deliberador, o proprietário da construtora Vectra, Manoel Luiz Alves Nunes, observou a existência de um depósito de lixo próximo ao vale. Em parceria com o poder público, a empresa realizou o plantio de 300 mudas de araucárias no local. "A Autarquia do Meio Ambiente (atual Secretaria do Meio Ambiente) fez o plantio e nós cuidávamos", contou. Hoje, a responsabilidade de manutenção é dos moradores do condomínio, através da Sociedade do Vale das Araucárias.
A pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Sueli Martinez, é uma das voluntárias que, junto com outros moradores, se empenha pela manutenção do bosque. Ela tem um projeto para revitalização do local que já foi apresentado ao Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), mas não obteve aprovação. "Vamos apresentá-lo a um programa similar - ainda não colocado em vigor - de incentivo à preservação do meio ambiente", contou.
O projeto envolve a participação de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que estudam a água, o solo e as plantas. Além disso, contará com a colaboração da própria Sueli - que é bióloga - e paisagistas. "Somos moradores da região, vemos a deterioração do vale do Capivara e queremos colaborar, cuidando do que está mais próximo de nossas casas",
explicou.
No mesmo vale, mas na margem oposta, a construtora Vectra se uniu a associações de moradores e à organização não governamental (ONG) Meio Ambiente Equilibrado (MAE) para preservar o local. "Já foram plantadas mais de mil árvores", revelou Nunes, que, quando decidiu construir dois edifícios na região, fez o trabalho solitário de realizar 70 viagens para retirada de entulhos do vale, além da terraplanagem e desenho das pistas.
Há 90 dias, em conjunto com associações de moradores, foi conseguida uma vitória. "Os moradores vizinhos vão se cotizar e pagar R$ 5,00 mensais para preservação do vale. Além disso, quatro empresas vão doar, juntas,
R$ 800,00", revelou ele, que considera o envolvimento da vizinhança fundamental para a efetiva preservação de áreas verdes.





