Arquivo FolhaPaulo Muniz: dentro do sistema, os pequenos são verdadeiros sócios Em franco desenvolvimento, a avicultura paranaense também conta com a força dos pequenos investidores e empreendedores, possuindo cerca de 40 mil famílias instaladas na atividade pelo sistema integrado de criação. Segundo maior produtor de aves do Brasil, o Estado é exemplo dessa parceria entre pequenos criadores e empresas, que beneficiam o produto para o mercado interno e para a exportação. A médio prazo, será o primeiro no setor.
Este crescimento está aliado a diversos fatores: o Paraná é o maior produtor brasileiro de grãos e apresenta bom sistema fundiário, com propriedades rurais com até 100 ha. Além disso, está a 500 km do maior centro consumidor do País (São Paulo) e possui um excelente centro de exportação, o Porto de Paranaguá.
O diretor-presidente da Comaves, Paulo Ferreira Muniz, enfatiza que o Estado está dentro da capacidade competitiva do setor, contando com produção de matéria-prima como o milho, a soja (como ração) e pintos. ‘‘A proposta de difusão de parcerias está crescendo. O governo, através do Banco do Brasil, está dando uma ajuda muito grande neste sentido liberando recursos do Pronaf’’, comenta.
Também presidente da Avipar (Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná), Muniz garante que a visão do alocador de recursos é muito importante. E destaca que em Londrina e região os produtores estão sendo assistidos por este programa. Com isso, acredita que a produção primária vai crescer, incrementando cada vez mais a produção agroindustrial. ‘‘Isto vai integrar e verticalizar o campo. Os produtores passam a ser pequenos sócios, tendo boa renda e ganho digno, fixando-se no campo com todas as comodidades da cidade’’.
Como as famílias que se dedicam à avicultura estão ligadas à produtividade, Muniz crê que as gerações se perpetuarão na área, sem êxodo.
IncentivosMas para que a avicultura continue com bons resultados, Muniz cobra mais atenção dos governos. ‘‘Temos muitas pesquisas realizadas pela Embrapa, Iapar, e que já apresentam bons resultados. O que falta é maior difusão destas tecnologias para que o pequeno e médio produtores possam ampliar suas culturas. A avicultura só terá tropeço se o fornecedor de insumos não tiver um produto adequado no mercado’’, destaca.
Como exemplo, cita que a criação de aves se faz muitas vezes através de exemplos bem-sucedidos do que pela difusão tecnológica. ‘‘A conversa entre vizinhos muitas vezes incentiva uma pessoa a integrar mais uma cultura na sua propriedade, como é o caso do frango. Numa área pequena, ele pode ampliar suas fontes de renda sem problemas’’.
No Real, o governo federal foi um dos maiores incentivadores do consumo de frangos, garantindo que era a carne mais barata. No entanto, esqueceu de salientar que além de ser acessível a todas as camadas sociais, supre todas as necessidades de proteínas para o indivíduo.
Muniz garante que o sistema de avicultura é agressivo no mercado. ‘‘O frango é comodities acessível nivelado por um sistema de produção. Hoje, a vantagem de quem compra frango nos açougues e supermercados é encontrar uma carne higiênica, já embalada. Já os produtos industrializados, como os cortes de aves, fogem do tratamento de comodities’’, explica.

mockup