Parceria garante novos profissionais
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 1997
Curitiba 
Para fazer frente à demanda por profissionais que as montadoras de veículos paranaenses - e outras indústrias, de outras atividades - vão exigir, o governo do Estado e a iniciativa privada estão tratando de apressar-se. A preparação e o desenvolvimento de mão-de-obra adequada para serem colocadas à disposição das empresas têm sido uma preocupação permanente, envolvendo todas as pontas.
Um dos exemplos é o Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul (Isae) - órgão vinculado à Fundação Getúlio Vargas. Em julho, o Isae estabeleceu o Núcleo de Competência da Indústria Automobilística, para atuar em todo o Estado na capacitação de executivos e do setor gerencial para as montadoras na RM de Curitiba. Segundo o superintendente do Isae, Norman de Paula Arruda Filho, o núcleo serve para criar uma cultura automobilística, no Estado.
Novo tempoArruda: núcleo do Isae objetiva a criação de uma cultura automobilística no Paraná
A preocupação do Instituto é garantir colocação no mercado de trabalho para profissionais paranaenses. Arruda acredita que haverá muita interferência da mão-de-obra paulista, que irá migrar para o Paraná atrás de emprego nas montadoras Renault, Chrysler e Volkswagen/Audi.
O Núcleo de Competência da Indústria Automobilística tem o compromisso de preparar o mercado paranaense para enfrentar a concorrência, segundo Arruda. Temos pouco conhecimento nesta área, aponta o superintendente do Isae. Assim como o Senai se prepara para capacitar os operários e o Cefet (Centro Federeal de Educação Tecnológica do Paraná) os técnicos, o Isae se estrutura para dar cursos à área gerencial.
Cefet Já foram iniciados os primeiros cursos de treinamento especializado para os trabalhadores que estão de olho nas montadoras paranaenses. A vice-governadora Emília Belinati, quando esteve em exercício em meados do ano, assinou convênio para execução de cursos com parceria das secretarias da Educação, do Emprego e Relações do Trabalho e o Cefet e Fiep. Através do convênio e ao longo dos cursos, o convênio estabelece uma dotação orçamentária de aproximadamente R$ 1,3 milhão.
Com recursos do FAT, a Secretaria do Trabalho repassou R$ 592 mil para o pagamento de professores do Cefet e Senai, instrutores e confecção de material didático para os cursos que estão sendo realizados nas dependência do Cefet em Curitiba, segundo informação do Nircélio Zabot, coordenador de formação profissional da Secretaria do Trabalho.
A Secretaria da Educação, que tem um orçamento de R$ 500 mil para compra de material e equipamentos, está destinando uma parcela desses recursos para compras de equipamentos necessários para estruturar os cursos. E as montadoras complementam os recursos com R$ 200 mil para o pagamento de vales-refeição e vales-transporte dos funcionários.
O cadastramento dos trabalhadores foi feito nas agências do Sistema Público de Emprego (ex-Sine) e eles foram selecionados pela Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho. Dos 2.000 inscritos, cerca de 900 iniciaram o treinamento básico. Conforme os critérios estabelecidos, os candidatos possuem o 1º grau completo ou cursam o 2º grau. Alguns já têm experiência em operação de máquinas, embora esse conhecimento não tenha sido exigido. Inicialmente estão sendo ministrados cursos para atender a área de montagem das empresas - como solda, pintura, retocagem e logística.
Para o professor Zabot, essa qualificação é inédita e os trabalhadores estão sendo treinados especificamente para trabalhar nas montadoras. Isso porque toda a elaboração dos cursos foi baseada em conteúdo, tipo de conhecimento e habilidades apontados previamente pelas empresas. Para acompanhar o nível de exigência, professores do Cefet e Senai estiveram na França e na Alemanha visitando linhas de montagem da Renault e da Audi/Volks para saberem exatamente o perfil de qualificação desejado por elas.


