A parceria Cocamar-Coamo vai além. A Cocamar, que produz óleo de algodão, está comprando todo o caroço da Coamo. O acordo também melhorou o aproveitamento dos terminais de exportação das duas: a Coamo passou a usar o terminal ferroviário da Cocamar em Maringá, e esta faz embarques para o exterior no terminal marítico da Coamo em Paranaguá. ‘‘A parceria representa uma movimentação de US$ 60 milhões/mês, valor que antes ia para outras empresas’’, diz Jardim Júnior.
Mas a Cocamar está deixando a produção de suco em Paranavaí. Jardim Júnior explica que isso se deve aos baixos preços do produto nos últimos anos. A saída, acredita ele, foi mesmo abrir a sociedade para os cooperados. Com a presença dos produtores, o Fundo de Desenvolvimento Econômico do Estado (FDE) vem dando suporte para a retomada do esmagamento da laranja na indústria de Paranavaí.
A Cocamar ainda detém 57% das ações da indústria, mas a intenção é de se retirar do processo de esmagamento da laranja. Os produtores que fazem parte da associação dos citricultores, cerca de 180, vão a médio prazo comprar todass ações. ‘‘Hoje o setor está melhorando, com os preços do mercado externo reagindo, e a nova sociedade tem potencial para garantir a cultura na região’’, acredita Jardim Júnior. A tonelada do suco, que chegou a US$ 800, já é negociada a US$ 1.500.
Segundo Rogério Bagio, representante dos produtores na indústria, já foram exportadas 180 t de suco processados em Paranavaí nas últimas semanas, e há uma previsão de embarque de outras 600 t. Ele acha que a presença dos produtores e do governo na indústria é viável.
Outro setor importante da Cocamar é o da seda. Apesar de representar só 3% do faturamento da empresa, o setor abrange 1.500 pequenas propriedades e gera 400 empregos apenas na indústria de fiação, além de milhares no campo. A Cocamar é também a única empresa brasileira que domina a tecnologia integral do processo da seda. Existem outras duas, japonesas, no mercado nacional.
Jardim Júnior lamenta o fim do projeto da Cooperseda, na região de Umuarama. A reestruturação da cooperativa acabou mudando o comportamento do próprio produtor. ‘‘No passado a agricultura era tratada com paternalismo e isso acabou. Hoje o produtor está mais consciente e profissional’’, diz. ( M.Z.)

mockup