de Curitiba
O Japão é um dos três maiores parceiros comerciais do Brasil, com movimentação de negócios que gira em torno de US$ 4 bilhões por ano. No Paraná existem mais de 170 mil nipo-brasileiros com renda per capita de US$ 10 mil anuais, o equivalente ao dobro da média nacional. Esses números expressivos são apresentados pelo deputado federal Antonio Ueno (PFL), 74 anos, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão, para demonstrar a importância de uma relação há muito tempo consolidada pelos dois países.
Aliás, Ueno é referência obrigatória quando se fala no relacionamento entre Brasil e Japão, principalmente no aspecto econômico. Na Câmara dos Deputados há 30 anos - está no 8º mandato - o parlamentar natural de Cambará (PR) dedicou boa parte de sua vida a atividades que pudessem contribuir para a integração dos dois países. ‘‘Fico feliz quando vejo que os japoneses já investiram mais de US$ 5 bilhões em território brasileiro, gerando grandes arrecadações de impostos e muitos empregos’’, revela, sem esconder o orgulho.
De acordo com Ueno, que é presidente da Comissão de Solenidades para recepção do imperador Akihito e da imperatriz Michiko, a visita imperial vai estimular ainda mais o interesse de empresários nipônicos pelo Brasil. ‘‘A comitiva conta com 50 jornalistas. Eles, certamente, devem relatar as potencialidades e facilidades de investimentos’’, prevê o deputado, certo de que anda fazendo sua parte por já ter levado políticos e empresários paranaenses em pelo menos 25 missões econômicas ao Japão e aos países do chamado Tigre Asiático.
As maiores empresas nipo-brasileiras são associadas à Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão. A Furukawa, fabricante de fibras óticas, e a Densu, que produz auto-peças, são dois exemplos de grandes grupos que instalaram unidades em Curitiba. ‘‘Nós temos mais de 150 empresas reunidas na Câmara e sabemos que esse número pode aumentar com a vinda de novos empreendimentos’’, afirma Ueno. Em defesa da globalização da economia, ele defende uma abertura maior do Brasil aos investidores estrangeiros, inclusive japoneses.
Incentivos‘‘O Brasil tem de abrir sua visão para o mundo e incentivar a instalação de mais empresas estrangeiras por aqui. Como há mais de 1,5 milhão de nipo-brasileiros, é até natural dar esses mesmos incentivos para industriais japoneses’’, defende Ueno, que aposta na cooperação. Através da Câmara, ele viabilizou convênios que trouxeram apoio tecnológico nas áreas agrícola e industrial do Paraná. A Japan Internacional Cooperation Agency (Jica), por exemplo, investiu US$ 6 milhões no treinamento de técnicos industrais.
O parlamentar destaca ainda o Instituto Brasil-Japão de Qualidade e Produtividade, criado há três anos em Curitiba. A instalação significou investimentos de US$ 18 milhões para a transferência de tecnologia de gerência japonesa, sistema kanbam (just-in-time) e kaizen com a cooperação do Jica e do Japan Product Center (JPC). ‘‘Todos esses esforços conjuntos só mostram a disposição nipônica de colaborar com o crescimento do Paraná e do Brasil’’, constata Ueno.

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