Parapsicólogos, chá, bolachas e sorte
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Os eventos mais concorridos entre as 46 edições de ''Chá com Parapsicólogos'', debate mensal organizado há cinco anos pelas Faculdades Integradas ''Espírita'', foram ''Vida após a morte: o que sabemos até agora'', ''Emergências espirituais'' e ''O sexto sentido nos animais''. Na segunda-feira foi a vez da ''Sorte''. Há cinco anos, em setembro de 2003, que a palestrante da noite, Elisa Billwiller, teve o primeiro contato com o assunto. Enquanto o seu carro era consertado em uma oficina - depois de ter seu toca CDs roubado na garagem de casa - começou a ler uma revista e, entre notas científicas, ficou sabendo do lançamento no Brasil de ''O fator sorte'' (Editora Record, R$ 39), de Richard Wiseman. ''A sorte sempre foi vista como acaso. Com dez anos de pesquisas, o autor demonstrou estatisticamente que ela depende de comportamentos e atitudes.''
Em uma proposta semelhante a idéias já impressas em livros de psicologia, Programação Neurolinguística (PNL) e marketing - aqui só para ficar nas comparações feitas pela palestrante - o autor trata da sorte como uma questão de postura em relação ao mundo.
Como princípio número um, o britânico propõe que as pessoas aumentem suas oportunidades construindo e mantendo uma ''rede de sorte'', com uma atitude tranquila em relação à vida e buscando conhecer mais pessoas e ter novas experiências.
Da platéia, André Luiz Paciornik, 23 anos, aluno do curso livre de Parapsicologia da faculdade que recebe o evento, contesta. ''Mas ele está colocando mais uma questão de oportunidade do que sorte.'' Oportunidade, sorte ou atitude, Wiseman propõe alguns exercícios para desenvolver esse atributo (veja mais em box nesta página).
No bate-papo, Elisa, que estudou Parapsicologia e depois Psicologia - ''para poder atuar, pois o psicólogo é reconhecido'' - defendeu a postura do autor e trouxe diversos exemplos da pesquisa. ''Ele divide o mundo em pessoas com ou sem sorte. Em um dos exemplos, mostra a postura das pessoas em relação a um infortúnio. Os que têm sorte indicaram que levar um tiro no braço em um assalto a banco seria algo positivo, pois poderia ter sido na cabeça.''
Ela própria se considera do grupo ''com sorte'', algo que ela diz fazer parte de sua natureza. Brincando com o conceito, ao tentar utilizar o projetor, ela comenta: ''Vejam só, estou com azar. Não liguei a tomada.''
Gato preto, gato branco
''Para o Wiseman, a cor do gato não influencia em coisa alguma.'' Elisa ainda lembra que a superstição é um atributo da turma dos azarados. Relacionando com sua área de formação, a Parapsicologia, ela cita o princípio número dois do estudo: ouça seus pressentimentos de boa sorte. ''É saber usar uma informação quando você tem uma intuição'', diz.
Acreditar e contar na própria sorte é o princípio de número três. ''Os que têm são otimistas e acreditam que a fase de boa sorte vai continuar.'' Para encerrar, há o quarto e último da lista: transformar o azar em sorte. E aí, retornamos para o começo deste texto. Em meio a um caso de som roubado, ela descobriu um livro. E, ao final de sua palestra, os presentes tomaram chá com bolachas caseiras.
SERVIÇO:
''Chá com Parapsicólogos''
Campus Universitário Bezerra de Menezes
Faculdades Integradas ''Espírita''
Rua Tobias de Macedo Júnior, 333, Santo Inácio
(41) 3111-1745
e-mail: [email protected]
site: www.unibem.br


