Em 1976, as terras da Região dos Campos Gerais encontram-se totalmente degradadas. A ação do clima sobre o modelo de atividade praticado, que remexe o solo constantemente, não permite que ele se recomponha. A erosão ganha terreno.
‘‘A natureza nos forçou a mudanças, sob a ameaça de termos de abandonar a atividade agrícola’’, conta o agricultor Franke Dijkstra que, para enfrentar o problema, introduziu o plantio direto em sua propriedade, em Carambeí. Apesar de não acreditar num ganho já no primeiro ano, a nova técnica se mostra eficiente e os resultados apareceram na produtividade –12% maior.
Um encontro casual numa fila de banco aproximou Dijkstra de Manoel Henrique Pereira, que também fazia algumas tentativas de implantação do plantio direto. A troca de experiências entre eles é enriquecida com o trabalho técnico do pesquisador Hans Peeten, que já havia estudado a técnica nos Estados Unidos.
No terceiro ano viriam as grandes soluções, com a introdução das práticas de cobertura de solo no inverno e rotação de culturas. Nessa época, também já existem máquinas adaptadas pela indústria, o que facilita o trabalho.
O aumento da vida biológica no solo e dos índices de matéria orgânica saltariam, em 10 anos, de 1,8% para 5%. O sistema radicular, que até então explorava somente 15 centímetros do solo –ou seja, a área arável– no futuro exploraria 80 centímetros. No final do século, a produtividade média das terras de Dijkstra giraria em torno de 3,4 toneladas por hectare. A região se tornoria exemplo de agricultura sustentável para todo o Brasil.

mockup