Curitiba - O Paraná aparece com destaque negativo na pesquisa que aferiu o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) na última terça-feira. Dos 100 municípios brasileiros em que proporcionalmente há mais risco de adolescentes perderem a vida por causa de assassinatos, 11 estão localizados no Paraná. É o pior desempenho entre os Estados da região Sul. Santa Catarina possui apenas um município (São José) entre os 100 primeiros, e o Rio Grande do Sul, três (São Leopoldo, Guaíba e Canoas).

O IHA verifica, para cada grupo de mil pessoas com idade entre 12 e 18 anos, o número de adolescentes que não alcançarão os 19 anos porque serão vítimas de homicídio, no período de 2006 a 2012. Na pesquisa, foram levantados dados dos 267 municípios do Brasil com mais de 100 mil habitantes.

O município com o índice mais alto na pesquisa é paranaense: Foz do Iguaçu ficou em primeiro lugar, com um IHA de 9,74. Este número representa que na cidade fronteiriça aproximadamente 10 em cada mil adolescentes terão sido assassinados entre 2006 e 2012, um total de 446 homicídios nessa faixa etária. É um índice muito superior à média nacional, que ficou em 2,03.

Procurada pela FOLHA para comentar os números, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), através de sua assessoria de imprensa, apontou que ''tudo que o governo tinha a declarar'' sobre o levantamento foi publicado em reportagens colocadas na Agência Estadual de Notícias no dia em que a pesquisa foi divulgada.

Nas matérias mencionadas, a secretária de Estado da Criança e da Juventude, Thelma Alves de Oliveira, e o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, fizeram críticas à pesquisa. ''A validade do trabalho é a possibilidade de aprofundar a compreensão sobre esse fenômeno e mobilizar a família, o Estado, a sociedade em geral, para enfrentar esta situação. Mas não pode ser interpretado como verdade absoluta. É uma leitura pontual e limitada, não analisa o universo e a realidade dos municípios'', afirmou Thelma.

Nas declarações de Delazari, o foco foi direcionado para as considerações sobre a situação de Foz do Iguaçu. ''O estudo divulgado pelo governo Federal é uma grande estimativa baseada em dados de 2006. O importante é que nós implementamos políticas públicas na área da segurança e revertemos esta tendência. Desde 2005, reduzimos o número de homicídios constantemente na cidade. Caso o estudo fosse trazido para hoje, seu resultado seria bastante diferente'', garantiu o secretário. ''Apesar da importância de um estudo como este, que mobiliza a sociedade a voltar sua preocupação para a violência entre os jovens, para as políticas de segurança ele não representa nenhuma novidade. Para coibir a criminalidade precisamos ter dados praticamente em tempo real, com muito pouca defasagem, como faz o geoprocessamento. É por isso que desde então focamos diversas políticas públicas para reduzir os homicídios'', afirmou Delazari.

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