Paraná reverencia imperador Akihito
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Lorena Aubrift Klenk, 
de Curitiba
Serão pouco mais de 40 horas de permanência, cronometradas quase minuto a minuto. O imperador japonês Akihito e a imperatriz Michiko chegam hoje às 18h10 ao Paraná, desembarcando de um Jumbo no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Além de Curitiba, será a única cidade do Estado por onde passará o casal imperial, cumprindo uma programação apertada e definida com o rigor tradicionalmente atribuído aos orientais.
Duas missões do corpo diplomático japonês precederam a vinda do casal imperial, uma em fevereiro e outra em março. Roteiros, local de hospedagem, segurança, alimentação, transporte e todos os detalhes da visita foram rigorosamente verificados. Até mesmo o Jumbo da família imperial já cumpriu previamente o roteiro da viagem, verificando as condições dos aeroportos.
É a primeira visita de um imperador japonês ao Brasil. Akihito - o 125º imperador do Japão - já esteve no País duas vezes antes, quando ainda era príncipe. A visita de agora vem brindar uma das maiores colonizações nipônicas fora do Japão. Só no Paraná, vivem cerca de 170 mil pessoas de origem japonesa. É a segunda maior colônia nipônica no Brasil.
Antes de chegar ao Estado, o casal imperial já passou por Belém, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo.
Num roteiro com tantas paradas, é natural que cada local se esmere para oferecer o melhor. Em Curitiba, governo e comunidade nipônica fizeram todos os esforços, em meses de preparação, que envolveram os cerimoniais da Prefeitura e do Palácio Iguaçu, o Consulado do Japão, as polícias federal e militar, políticos de origem japonesa e várias entidades da comuidade.
Os gastos, com uma ou outra exceção, não foram divulgados. Sabe-se, por exemplo, que só num portal construído no Parque Barigui - onde o casal imperial vai se encontrar amanhã com cerca de 12 mil integrantes da comunidade nipônica - a Prefeitura gastou cerca de R$ 25 mil. No pavilhão e na parte externa do parque foram necessárias várias reformas e adaptações.
O Palácio Hyogo ganhou um jardim japonês, com lagos para peixes. Os custos de todas as obras, presentes e brindes providenciados para a visita foram repartidos entre governos e entidades privadas.
As cores vermelha (do Japão), verde e branca (do Paraná) enfeitam toda a cidade para receber o imperador Akihito. Um toque especial na decoração é dado por ikebanas feitos por crianças carentes do Piá Ambiental da Vila Osternak, na periferia de Curitiba. Também foram confeccionados milhares de flâmulas, posters, adesivos, bonés, chaveiros, canetas e outros brindes para marcar a data.
Os organizadores da visita dizem que o principal desejo do imperador é saber se os japoneses e descendentes que vivem no Brasil estão felizes. Por isso, a programação no Paraná privilegia os encontros entre Akihito e Michiko e membros da comunidade nipo-brasileira. Tudo dentro dos limites permitidos pelo rígido protocolo que cerca a família imperial, baseado numa mescla de tradição com normas de segurança.
Cada programa do casal imperial tem tempo de duração definido. No Palácio Hyogo, por exemplo - primeiro compromisso, logo após o desembarque no aeroporto - a permanência deverá ser de exatos 13 minutos. O almoço no Jardim Botânico, amanhã, deverá ser servido num tempo situado entre 40 e 50 minutos, com hora marcada para começar: 14h20.
Outra orientação repassada à exaustão pela diplomacia japonesa diz respeito aos discursos: curtos e raros. O imperador Akihito só deverá falar ao público em duas oportunidades, ambas amanhã: durante o almoço no Jardim Botânico, para cerca de 250 pessoas, e às 12 mil pessoas que irão vê-lo no pavilhão do Parque Barigui. Dirá apenas algumas palavras, em agradecimento às homenagens. O texto não será traduzido simultaneamente, mas após a conclusão. As autoridades locais também deverão falar pouco, no máximo cinco minutos.
O protocolo também impede a entrega de presentes ao casal em público. Segundo o deputado federal Antonio Ueno, que coordena a Comissão de Solenidades da visita, as lembranças preparadas pelos paranaenses deverão ser entregues reservadamente, aos assessores do imperador.
Em todas as aparições em público, o imperador e a imperatriz deverão usar trajes ocidentais. Ueno explica que os quimonos japoneses costumam ser usados em ocasiões de gala, mas não há eventos com essa característica previstos.


