Miranda Auster
De Curitiba - Especial para a Folha
Enquanto Curitiba descobre sua vocação para o turismo de eventos, o Paraná revela grande potencial para atrair visitantes em busca de aventura e contato com a natureza. Ou seja, o chamado turismo alternativo. Nem o Estado e tampouco a capital nasceram agraciados com os atributos naturais para se tornarem o destino lógico dos viajantes e da riqueza que eles levam consigo. A exceção, é claro, eram até recentemente as Cataratas do Iguaçu.
Mas tanto Curitiba como o Paraná souberam criar atrativos suficientes para figurar nas estatísticas do setor neste final de século. Uma mudança na metodologia das pesquisas, que passou a incluir as fronteiras terrestres – o que parece óbvio para qualquer pessoa –, trouxe Curitiba da 11ª para a 5ª colocação entre as 10 cidades mais visitadas.
Dizem os números que por aqui circulam, em média, 1,1 milhão de turistas a cada ano, movimentando quase US$ 630 milhões. Isso corresponde a nada menos que 5,16% do PIB da capital. E os dados são confiáveis. Foram apurados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ligada à USP, e pela Embratur.
Com relação ao Paraná, os números também são significativos. No ano passado, o Estado recebeu 7% dos 38,2 milhões de turistas que andaram pelo Brasil. Pesquisa da Embratur chega a afirmar que o Paraná superou até mesmo a Bahia entre os Estados que mais recebem visitantes. Este contingente gerou uma receita de R$ 725 milhões. O turismo representa hoje 9% do PIB estadual, num total de R$ 5,2 bilhões se computados o movimento gerado no comércio, serviços, impostos e empregos.
A realização, em Curitiba, do 27º Congresso Brasileiro das Agências de Viagens, só vem comprovar o crescimento do interesse que a capital paranaense vem obtendo junto aos profissionais que mais entendem do assunto. ‘‘Curitiba é o cenário ideal para qualquer evento’’, confirma o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Goiaci Alves Guimarães.
Segundo ele, o congresso da entidade é o mais importante evento da América Latina em se falando de turismo. Em seus quatro dias, deve reunir cerca de 15 mil pessoas ligadas ao setor e movimentar R$ 15 milhões. São 60 delegações de 24 países, que vão visitar 360 estandes com produtos de mais de 600 expositores. Estão representadas empresas as mais variadas, dos Estados Unidos ao Japão, de grande parte dos países da América do Sul, além das brasileiras.
Crescimento – Baseado em sua experiência, Goiaci Guimarães considera que este será o ‘‘congresso da virada’’, uma espécie de divisor de águas no crescimento do turismo brasileiro. As perspectivas são, realmente, animadoras, segundo previsão da Embratur. A indústria do turismo no Brasil deve atrair 35% a mais de viajantes estrangeiros nos próximos cinco anos. O total de 38,2 milhões deve subir para 57 milhões.
Como cidade-sede, Curitiba deve ver crescer também a sua parcela. Os especialistas acreditam que um congresso como este é uma grande oportunidade para a cidade se mostrar ao mundo. Os negócios e os investimentos devem, pelo menos, dobrar, uma vez que todo o setor passa a conhecer melhor os atrativos e as possibilidades oferecidas. ‘‘As chances de crescimento são realmente muito grandes’’, afirma o presidente da Abav nacional.
Um exemplo concreto pode ser observado em Natal, a capital do Rio Grande do Norte, que já contava com belezas naturais e muito sol para agradar os turistas. Depois que sediou o congresso da Abav em 1989, a capacidade hoteleira da cidade foi ampliada em dez vezes.

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